Irã fecha escritório do reformista Karoubi e prende assessor

Por Fredrik Dahl e Reza Derakhshi TEERÃ (Reuters) - As autoridades iranianas interditaram nesta terça-feira o escritório do clérigo reformista Mehdi Karoubi, disse a agência de notícias Ilna, e um site informou que um dos principais assessores dele foi detido.

Reuters |

Oficiais de justiça invadiram o escritório, na zona norte de Teerã, e exigiram que Karoubi e várias outras pessoas deixassem o local, relatou a Ilna, acrescentando que documentos, discos de computador e outros materiais foram apreendidos.

"O escritório de Karoubi foi lacrado por ordem do procurador de Teerã", disse à agência Esmail Gerami-Moghaddam, porta-voz do partido de Karoubi, que foi o quarto colocado na polêmica eleição presidencial iraniana de junho.

As autoridades ainda não se manifestaram sobre o fato.

O site mowjcamp.ir disse que agentes invadiram e vasculharam a casa de Morteza Alviri e o levaram detido. O site também confirmou a interdição do escritório de Karoubi.

Na segunda-feira, forças de segurança haviam ocupado um escritório mantido por aliados do líder oposicionista Mirhossein Mousavi, segundo colocado na eleição, e confiscaram documentos, segundo o site do ex-candidato.

De acordo com o site de Mousavi, trata-se de um escritório onde funciona uma comissão estabelecida por ele para analisar os fatos que se seguiram à eleição, inclusive as mortes e supostos maus tratos a pessoa detidas durante manifestações pós-eleitorais.

A oposição diz que houve fraude na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o que desencadeou manifestações duramente reprimidas pelas autoridades.

Karoubi, cujo jornal foi desativado há três semanas, irritou os conservadores em agosto ao dizer que alguns manifestantes haviam sofrido abusos na prisão, inclusive de natureza sexual.

As autoridades rejeitaram essas acusações, mas o Judiciário e o Parlamento aceitaram examinar o assunto.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, determinou em julho que a penitenciária de Kahrizak, em Teerã, fosse fechada, depois de surgirem relatos de abusos no local. A agência semioficial de notícias Mehr disse que pessoas envolvidas nos abusos começarão a ser julgadas nos próximos dias.

Ahmadinejad tem sugerido que adversários seus teriam se "infiltrado" nas forças do governo e estariam por trás desses incidentes.

O presidente conservador consolidou sua posição política na semana passada, quando o Parlamento aprovou a maior parte do seu ministério, depois de quase três meses de crise política no país, quinto maior exportador mundial de petróleo.

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