Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O presidente Mahmoud Ahmadinejad, provocando os Estados Unidos pela tentativa de interromper o programa nuclear do Irã, apresentou uma nova centrífuga na sexta-feira que, segundo autoridades, enriquecerá urânio muito mais rápido do que os outros modelos existentes.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que quer sanções mais duras da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Teerã, admitiu que essas medidas não necessariamente vão funcionar, mas disse que a pressão mundial contínua poderia ao longo do tempo levar o Irã a revisar seus projetos nucleares.

Num discurso para marcar o dia nuclear no Irã, Ahmadinejad classificou o tratado para redução de armas nucleares assinado por EUA e Rússia esta semana de "um disfarce" que esconde as reais intenções de Obama.

"Consideramos que as armas nucleares são contra a humanidade", disse ele.

"A via nuclear do Irã é irreversível. A nação iraniana chegou a um novo ponto, onde nenhuma potência pode impedi-la de avançar a toda velocidade para alcançar a energia nuclear pacífica."

O diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que a "terceira geração" de centrífugas tem o poder de separação de 10, seis vezes mais que o da primeira geração.

As centrífugas utilizadas atualmente pelo Irã são adaptadas de um projeto dos anos 1970 e tinham a propensão a apresentar avarias. Sabe-se que o Irã tem testado há anos novos modelos. Não estava claro quando as novas máquinas iniciariam as atividades de enriquecimento com força total, algo que os analistas dizem seria um passo significativo.

"Isso não é inesperado e, dado o que Obama está fazendo, acho que eles estão de fato tentando mostrar que estão driblando as sanções", disse David Albright, diretor do Instituto para a Segurança Internacional e da Ciência, em Washington.

"Eles têm comprado muita coisa para o programa de centrífugas nos últimos dois anos, ou tentado fazer isso, e foram impedidos muitas vezes. Eles têm trabalhado nessa terceira geração de centrífugas desde o início da década de 2000", afirmou ele.

"A questão de fato é, eles são capazes de construí-las aos milhares ou...na década de 2010, e quando elas serão instaladas? A outra questão é: elas funcionam bem?"

Os analistas do Ocidente afirmam que o Irã no passado exagerou nos anúncios de avanço para reforçar o orgulho nacional sobre o programa nuclear e fortalecer seu poder de barganha com as grandes potências.

(Reportagem adicional de Hashem Kalantari e Robin Pomeroy em Teerã, David Morgan em Washington, Sylvia Westall em Viena e Adrian Croft em Londres)

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