Irã exibe força antes de diálogo nuclear com grandes potências

Por Fredrik Dahl e Hossein Jaseb TEERÃ (Reuters) - O Irã testou nesta segunda-feira mísseis que, segundo um comandante da Guarda Revolucionária, poderia alcançar qualquer alvo na região, em uma exibição de força antes das negociações nucleares desta semana com potências mundiais.

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Na semana passada, Teerã havia revelado que está construindo uma nova usina de enriquecimento de urânio, agravando as preocupações do Ocidente com relação ao programa nuclear do país.

A reunião de quinta-feira, em Genebra, na Suíça, marca a retomada do diálogo do Irã com as seis potências mundiais (EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China). O Ocidente teme que a República Islâmica esteja desenvolvendo armas nucleares, o que o Irã nega, alegando que seu objetivo é apenas a geração de eletricidade com fins pacíficos.

A Casa Branca qualificou de "provocativo" o teste dos mísseis e reiterou as exigências feitas na semana passada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para que o Irã seja transparente a respeito do seu programa nuclear.

"Eles podem concordar com um acesso imediato e irrestrito (de inspetores internacionais à recém-revelada instalação nuclear iraniana)", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, sobre o que Washington espera da negociação desta semana. "Seria o mínimo que eles poderiam fazer. Nunca houve um consenso internacional mais forte do que agora quanto a tratar do Irã e do seu programa nuclear."

A chancelaria iraniana disse que o teste de mísseis não tem relação com as atividades nucleares.

"Este é um exercício militar que é de natureza dissuasória", disse o porta-voz Hassan Qashqavi em entrevista coletiva. "Não há qualquer conexão com o programa nuclear."

A emissora Press TV disse que o míssil terra-terra Shahab 3, com alcance de até 2 mil quilômetros, foi testado "com sucesso" no segundo dia de um exercício militar que começou no domingo, com testes de mísseis de curto e médio alcance.

O alcance do Shahab 3 o coloca em condições de atingir Israel e bases dos EUA no Oriente Médio. A TV local mostrou os mísseis subindo em uma área desértica, enquanto testemunhas gritavam "Allahu Akbar" ("Deus é grande").

"Todos os alvos dentro da região, não importa onde estejam, estarão dentro do alcance desses mísseis", disse o general Hossein Salami, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária, citado no site da corporação.

Mais tarde, Salami disse à TV estatal que "todos os nossos inimigos devem saber que constantemente nos vemos em uma atmosfera de ameaça, e nos preparamos para o pior cenário."

(Reportagem adicional de Avril Ormsby em Londres, Conor Humphries e Oleg Shchedrov em Moscou e David Brunnstrom em Gothenburg)

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