Irã executa 30 pessoas na luta contra delinqüência e imoralidades

Teerã, 27 jul (EFE).- O Irã executou neste domingo 30 pessoas condenadas à pena capital por diferentes crimes e desta forma aumentou para cerca de 100 o número de enforcados este ano.

EFE |

A pena capital é aplicada, entre outras coisas, para enfrentar "ações imorais" - crimes que são perseguidos por policiais e por soldados dos Basij (grupo de voluntários leais ao regime).

Mulheres que usam de forma errada o véu islâmico, jovens que cortam o cabelo ou fazem penteado para parecerem ocidentais e lojas que vendem roupas curtas ou transparentes recebem punição. Tudo isto é considerado desrespeito às normas da religião islâmica, aplicada de forma estrita no Irã.

As punições mais duras, que chegam à pena capital, são dadas aos condenados por tráfico de drogas, assalto à mão armada, homossexualismo, adultério e estupro, pois estes crimes são considerados dentro do Islã uma "corrupção na Terra".

Tais crimes levaram 30 pessoas à forca esta madrugada - todas elas classificadas pelas autoridades de "malvadas" -, informa a agência de notícias "Irna".

As execuções foram realizadas na prisão de Evin e os enforcados tinham "dezenas de antecedentes criminais", a maior parte deles por tráfico e por distribuição de entorpecentes.

Pelo menos dez haviam sido condenados por "agressões sexuais", "consumo de bebidas alcoólicas" - proibidos pelo islamismo - e por usarem arma branca em ataques e causarem ferimentos em várias pessoas, informou a "Irna".

"Os outros 20 eram narcotraficantes e distribuidores de drogas em grande escala. Todos eram 'mufsid fil ard' (corruptos da Terra)", disse o promotor de Teerã, Said Mortazavi, informa a emissora estatal.

"Além de causarem desordem na sociedade, os criminosos participaram de contrabando de drogas dentro e fora do Irã, assim como da formação de grupos organizados para realizarem ações criminosas", acrescentou.

Mortazavi disse que os executados receberam um julgamento justo e que as sentenças contra eles foram ratificadas pela Corte Suprema iraniana, enquanto reiterou o compromisso do regime de Teerã de continuar a campanha contra a delinqüência.

"Com os planos para melhorar o estado da segurança nas cidades demonstramos nossa vontade de enfrentar a delinqüência e o crime organizado", declarou Mortazavi. Ele também pediu que a população colabore com as autoridades em nome da "segurança urbana".

"Transformaremos Teerã na cidade mais insegura para os delinqüentes", afirmou.

Quase nenhum país islâmico atendeu até o momento aos pedidos de cancelamento das penas de morte. Execuções são freqüentes em Estados como Irã e Arábia Saudita - neste último, os condenados à pena capital são executados em público.

No Irã as pessoas condenadas por adultério são apedrejadas.

Dezenas de iranianos foram mortos ano passado no Irã acusados de serem "corruptos na Terra" ou "malvados", termo com os quais as autoridades de Teerã costumam se referir aos narcotraficantes e aos membros dos grupos opositores armados.

Em setembro passado o Irã executou na forca 21 pessoas em um só dia, mas em diferentes prisões do país. EFE fa/fh/fal

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