Irã executa 2 pessoas supostamente por participar de protestos

(Atualiza com novos dados) Teerã, 28 jan (EFE).- O Poder Judiciário iraniano enforcou hoje dois homens supostamente acusados de participar dos protestos que movimentam o Irã há sete meses e que levaram o país à pior crise política e social que sofre desde a fundação em 1979 da República Islâmica.

EFE |

Segundo a agência de notícias local "Mehr", os réus, identificados como Mohamad Reza Ali-Zamani e Arash Rahmanipour, foram enforcados ao amanhecer em uma prisão de Teerã.

"Ali-Zamani e Rahmanipour eram dois entre as 11 pessoas que foram condenadas à morte pelo Tribunal Revolucionário iraniano pelo envolvimento em atos contra a Revolução, especialmente no dia da Ashura", explicou a fonte.

A informação veio nesta mesma manhã permeada, contudo, por dúvidas e contradições sobre os crimes dos quais ambos eram acusados e sobre a data na qual foram detidos e julgados.

A televisão estatal por satélite "PressTv" assegurou que ambos tinham sido acusados de participar de um atentado terrorista perpetrado em 2008 na cidade meridional iraniano de "Shiraz", no qual morreram 13 pessoas e mais de 200 ficaram feridas.

A rede detalhou que tanto Zamani como Rahmanipour tinham sido acusados de pertencer ao movimento opositor no exílio "Associação Monárquica" e também de 'mohareb' (inimigo de Deus), um crime que a jurisprudência islâmica vigente no Irã castiga com a pena capital.

A agência de notícias estudantil "Isna", a primeira a divulgar a notícia, assegurou igualmente que ambos faziam parte de um grupo de 11 pessoas condenadas à morte por participar dos distúrbios, nove das quais estão ainda pendentes da decisão do tribunal de apelação.

Estes nove teriam sido detidos durante as manifestações populares que há sete meses se repetem contra a polêmica reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição reformista considera fruto de um "fraude maciça".

Todos eles foram acusados de conspirar para derrubar o regime, pertencer ao grupo de oposição no exílio Mujahedin Khalq - que Teerã considera terrorista -, e de ser inimigos de Deus, explica a fonte.

Caso se confirme a versão das agências, Zamani e Rahmanipour seriam os dois primeiros detidos nos protestos iniciados em junho passado a serem executados.

Nas mobilizações morreram, além disso, cerca de 30 pessoas, segundo números oficiais, e cerca de 80 segundo o cálculo da oposição.

Além disso, cerca de 4 mil foram detidas, das quais quase uma centena - entre elas importantes membros da oposição -, já foram condenadas a diversas penas de prisão.

A crise se agravou em 27 de dezembro passado, dia sagrado da Ashura, no qual pelo menos oito pessoas morreram em sangrentos confrontos entre grupos de oposição e forças de segurança. EFE jm/sa

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG