Irã está por trás de sequestro de britânico no Iraque, diz jornal

O britânico Peter Moore, que foi libertado na quarta-feira no Iraque após ter passado dois anos como refém de um grupo de sequestradores, teria na realidade sido mantido em cativeiro no Irã, informou o jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira. O diário cita uma fonte da Guarda Revolucionária iraniana e outra do governo iraquiano, que disseram que o sequestro foi planejado pelo grupo e executado por membros da brigada de Al-Quds.

BBC Brasil |

Ainda de acordo com o jornal, Moore e seus quatro guarda-costas foram levados para um acampamento no Irã um dia depois de terem sido sequestrados em Bagdá. Três dos guarda-costas foram oficialmente declarados como mortos, e acredita-se que o quarto também tenha sido assassinado.

Há suspeitas de que Moore, um especialista em tecnologia, tenha sido sequestrado porque trabalhava em um projeto que mostrava como ajuda humanitária destinada ao Iraque estava sendo desviada para grupos apoiados pelo Irã.

Patraeus
Em entrevista à BBC no início de dezembro, o principal comandante dos Estados Unidos no Iraque, general David Patraeus, disse estar "90% certo" de que cidadãos britânicos estavam sendo mantidos reféns no Irã.

Segundo o analista de segurança da BBC, Frank Gardner, as autoridades já sabem há muito tempo que o grupo xiita que estava mantendo Moore tem ligações com a Guarda Revolucionária, apesar de o governo britânico relutar em apontar diretamente para o Irã.

Mas o Ministério das Relações Exteriores disse não ter provas que confirmem as alegações feitas pelo jornal The Guardian.

Na quarta-feira, o ministro do Exterior, David Miliband, disse que Moore está bem de saúde, após dois anos e meio de "muita tristeza, medo e insegurança".

"Já há algum tempo acreditávamos que ele tivesse sido morto e dissemos isso à família", afirmou Miliband.

O chanceler disse ter tido uma conversa "tocante" com Moore, que estava "para dizer o mínimo, completamente eufórico" com sua libertação.

A libertação do refém, segundo Miliband, foi o resultado "de um processo conduzido pelo Iraque de reconciliação política na qual um grupo armado se comprometeu a renunciar à violência para entrar no sistema político".

Acredita-se ainda que os sequestradores sejam membros de uma pequena milícia chamada Resistência Islâmica Xiita, que exigiu a libertação de nove de seus homens, mantidos sob custódia americana desde 2007.

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