Irã esnoba oferta de Obama e mantém seu programa nuclear

Isfahan, 8 abr (EFE).- O Governo iraniano anunciou hoje que não está disposto a renunciar à sua atividade nuclear, apesar da oferta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de promovê-lo a um melhor status no cenário internacional.

EFE |

"O povo do Irã nunca buscou a bomba atômica", disse o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em Isfahan, na região central do país, acrescentando que "os que produziram bombas atômicas são atrasados do ponto de vista político", em clara mensagem aos próprios Estados Unidos.

Ele deu esta declaração pela manhã, durante um discurso público na grande praça de Naghshe Yahan, em Isfahan, lembrando que o presidente americano afirmou que o Irã deve chegar ao seu lugar adequado no mundo, através de um caminho que não é atômico.

Ahmadinejad atacou Obama depois de afagá-lo, dizendo que "o respeitado presidente dos Estados Unidos falou de boas coisas em sua mensagem de felicitação para o ano novo persa, mencionou a grande cultura do povo do Irã e disse que o mundo necessita da cultura iraniana".

Ele insistiu em que "o caso nuclear do Irã é uma questão encerrada" e ameaçou as autoridades da Casa Branca a mudar sua postura.

"Eles devem deixar de decidir sobre o futuro das demais nações", afirmou o presidente iraniano -que, no entanto, vive palpitando sobre o destino de países rivais, dizendo, por exemplo, que "Israel vai logo desaparecer do mapa e que o 'poder satânico' dos Estados Unidos está se destruindo".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou no domingo, em discurso no Parlamento da Turquia, que "o Irã deve escolher entre o armamento e um futuro melhor".

"Esclareci para o povo e para as autoridades da República Islâmica do Irã que os EUA estão buscando um entendimento na base dos interesses comuns e no respeito mútuo", disse Obama no Parlamento da Turquia.

O presidente iraniano começou hoje quarta-feira uma visita de dois dias a Isfahan, onde deve anunciar os últimos avanços do país em tecnologia nuclear.

"Começarão em Isfahan as últimas conquistas nucleares", disse o presidente iraniano em declarações citadas pela televisão publica onde acrescentou que fará amanhã uma visita às instalações nucleares da cidade.

Segundo a imprensa local, Ahmadinejad anunciará amanhã a inauguração de uma fábrica para produzir pastilhas de combustível nuclear assim como o teste de uma nova geração de centrífugas.

O ocidente, especialmente os EUA, acusa o Irã de ter finalidades militares em seu programa nuclear, enquanto as autoridades iranianas rejeitam esta acusação e afirmam que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins exclusivamente civis.

A insistência do Irã de seguir com sua atividade de enriquecimento de urânio lhe custou até agora três resoluções de sanção por parte do Conselho de Segurança da ONU.

A oposição do Ocidente ao programa nuclear do Irã afetou também o início das operações da usina nuclear para gerar eletricidade em Busher, no sul do Irã, construída por técnicos russos desde 1995, depois que os alemães deixaram os trabalhos após a revolução islâmica de 1979.

Segundo o contrato com os russos, cujo valor é estimado em mais de US$ 1 bilhão, a usina deveria estar pronta em junho de 1999, mas só pôde entrar em operação em fevereiro deste ano, com praticamente uma década de atraso. EFE msh/jp

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