Irã envia carta sobre programa nuclear a Solana para debater oferta de países

Teerã, 5 ago (EFE) - Em meio à crescente pressão internacional, o Irã fez chegar hoje ao alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, uma carta sobre o programa nuclear do país, embora não tenha fornecido detalhes sobre o texto.

EFE |

Fontes da UE confirmaram hoje em Bruxelas que Solana recebeu uma carta das autoridades iranianas e disseram que em breve o documento será analisado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e Alemanha.

No dia 14 de junho, estes países ofereceram ao Irã um plano de incentivos tecnológicos, junto com negociações, exigindo em troca a suspensão do programa de enriquecimento de urânio de Teerã, e desde então estavam esperando a resposta.

As fontes do bloco e Washington não deram detalhes sobre o texto recebido hoje, mas o porta-voz do Departamento de Estado americano, Gonzalo Gallegos, anunciou para esta quarta-feira uma reunião de representantes das potências negociadoras para analisar o texto.

"Se não recebermos uma mensagem clara (do Irã), não teremos outra escolha além de aplicar medidas adicionais", acrescentou o porta-voz.

Enquanto isso, em Teerã, as autoridades iranianas não fizeram comentários sobre o documento recebido hoje por Solana, e a imprensa local só destacou os relatórios recebidos pela UE.

Horas antes, o ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, em declaração oficial distribuída pela agência "Irna", não se referiu a estes contatos, mas acusou os Estados Unidos de "fomentarem a guerra psicológica para aumentar sua hegemonia unilateral" na região.

"O povo iraniano sempre preferiu o diálogo acima da força e da violência", acrescentou Mottaki, depois de se reunir com o embaixador da Austrália em Teerã, Greg Moriarty.

O diálogo entre as seis potências e o Irã estava paralisado desde a reunião realizada em 19 de julho em Genebra e na qual, pela primeira vez, havia um representante dos EUA na mesa de negociações.

Washington insiste em que nessa reunião foi fixado um prazo de duas semanas para o Irã responder à oferta de incentivos, o qual supostamente teria vencido no sábado passado e que Teerã nega ter existido.

Desde então, a pressão sobre o país aumentou, e estava latente a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU aprovar novas sanções contra o Governo de Teerã por seu empenho em prosseguir com um programa nuclear que levanta muitas suspeitas.

Em uma inesperada crítica aos dirigentes iranianos, o presidente líbio, Muammar Kadafi, aconselhou hoje Teerã a abandonar suas ambições nucleares, se elas existem, "sob pena de se ver sujeito à mesma situação que sofreu o Iraque de Saddam Hussein".

O chefe de Estado líbio lembrou que, em dezembro de 2003, ao fim de nove meses de negociações secretas com Londres e Washington, a Líbia renunciou a seus programas de armas de destruição em massa e autorizou a entrada de uma missão de inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país.

Kadafi acusou os líderes iranianos de manterem "uma posição arrogante" sobre o tema nuclear.

"Estou convencido de que são reais as ameaças de intervenção militar contra o Irã e, se infelizmente isso suceder, os iranianos terão o mesmo destino que o Iraque, porque o desafio (sobre o programa nuclear iraniano) ultrapassa suas capacidades de resposta", acrescentou. EFE msh/ab/db

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