Por Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O Irã acusou os Estados Unidos de tentar desestabilizá-lo e provocou novo desentendimento com a Grã-Bretanha no domingo, ressaltando os esforços da liderança de linha dura para atribuir a insatisfação pós-eleitoral a potências estrangeiras, em lugar da revolta popular.

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O ministro da Inteligência, Gholamhossein Mohseni-Ejei, rejeitou as alegações de fraude na eleição presidencial deste mês, que desencadearam os maiores protestos de rua desde a Revolução Islâmica de 1979.

"Estou anunciando que não ocorreram fraudes organizadas que pudessem ter afetado o resultado da eleição", disse ele.

"Os americanos e os sionistas (Israel) querem desestabilizar o Irã. Meses antes da eleição eles já começaram a falar sobre a possibilidade de fraude eleitoral no Irã, e eles continuam nesse caminho depois da eleição", completou o ministro.

Mohseni-Ejei disse que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha querem promover uma "revolução de veludo" no Irã, mas declarou que isso será impossível.

O secretário do Exterior britânico, David Miliband, exigiu a libertação de vários funcionários da embaixada britânica local detidos no Irã e disse que seus colegas da União Europeia concordaram em dar "uma resposta coletiva forte" a qualquer "assédio e intimidação" contra missões diplomáticas da UE.

Miliband disse que as acusações iranianas de que funcionários da embaixada teriam ajudado a fomentar os distúrbios são "totalmente sem fundamento".

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, denunciou novamente as "declarações de interferência" feitas por autoridades ocidentais desde a eleição de 12 de junho."

"Se a nação e as autoridades (iranianas) forem unânimes e unidas, então as tentações das forças internacionais que nos querem mal e de políticos cruéis e que fazem ingerência vão deixar de ter impacto", teria dito Khamenei, segundo a rádio estata.

Os EUA e a Grã-Bretanha rejeitam as acusações de Teerã de que teriam interferido na eleição deste mês, cujos resultados oficiais indicam a vitória do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad.

O Ocidente discorda do Irã com relação ao programa nuclear iraniano e também à maneira como os protestos vêm sendo tratados.

As ruas de Teerã voltaram a uma situação de calma ressentida desde que a polícia de choque e a milícia religiosa Basij reprimiram manifestações enormes nas quais pelo menos 20 pessoas foram mortas.

"Todo o mundo está deprimido e com medo", disse um eleitor de Mousavi, candidato derrotado, na zona norte de Teerã.

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