Irã é tema central de reunião de Obama e Netanyahu na Casa Branca

Líderes se encontram em Washington em meio a pressões de Israel para que EUA auxiliem país em eventual ataque

Carolina Cimenti, de Nova York |

No encontro entre o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que acontece nesta segunda-feira na Casa Branca, em Washington, o tema central deve ser o programa nuclear do Irã. Apesar de os dois governantes declararem que é necessário impedir o Irã de obter uma arma nuclear, advertindo que a opção militar não está descartada, Obama e Netanyahu se diferenciam pela urgência.

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O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Barack Obama, têm reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington

De acordo com analistas, enquanto Israel gostaria de ter mais clareza sobre o compromisso dos EUA em se envolver no caso de uma eventual ação militar iminente, Obama tem interesse em apoiar Israel, mas prefere esperar mais tempo para que as novas sanções econômicas contra o país persa mostrem resultado. Essa diferença de raciocínio ficou clara no domingo, quando o presidente americano reiterou que não hesitaria em atacar o Irã, mas com a ressalva de que a recente " conversa fiada de guerra " apenas serviu aos interesses do país persa e para aumentar o preço do petróleo.

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"Pela segurança de Israel, dos EUA e pela paz e segurança do mundo, agora não é o tempo de tumulto", disse Obama a milhares na conferência política anual do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac, na sigla em inglês). "Agora é o momento de deixar nosso aumento de pressão fazer efeito e sustentar a ampla coalizão internacional que construímos", disse em referência às sanções econômicas impostas contra Teerã.

“Esse é sem dúvidas o encontro mais importante entre esses dois líderes, desde que eles foram eleitos”, disse ao iG Abraham H. Foxmanm, líder judeu nos EUA e diretor da Liga Antidifamação. “Enquanto filosoficamente os dois países concordam, na prática existem inúmeras questões a ser resolvidas”, afirmou.

Uma delas é relacionada ao tempo que cada país aceita esperar antes de lançar um ataque. O limite dos israelenses é mais estreito que o dos americanos. Para Netanyahu, o Irã não deveria nem mesmo chegar perto de ter capacidade para desenvolver uma bomba. Já os americanos, que têm tecnologia militar mais avançada e poderosa, defendem mais tempo para uma solução diplomática por teoricamente terem capacidade de destruir uma eventual bomba atômica iraniana antes de ela ser finalizada.

“Os riscos para Israel são bem mais altos, pois é um país menor e está mais próximo do Irã, então o impacto de um ataque nuclear seria destruidor”, disse Karim Sadjadpur, analista do Carnegie Endowment for International Peace. “A verdade é que Israel pode até iniciar uma guerra contra o Irã, mas só sairá dela com a ajuda dos americanos, e por isso o encontro (desta segunda-feira) é tão importante”, afirmou.

A opinião de Sadjadpur também é compartilhada pelo analista de defesa Scott Johnson, da consultoria IHS. Segundo ele, Israel até seria capaz de atacar o Irã sozinho, porém “isso exigiria um esforço militar enorme, com mais de cem aviões , os riscos seriam elevados, e os resultados não seriam definitivos”.

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Johnson explica que Israel tem cem aviões do tipo F16i e 24 do tipo F15i. A distância máxima que o primeiro pode percorrer sem reabastecer é 1.564 km, e o segundo modelo, 1.271 km - e Tel Aviv se encontra a 1.590 km de distância de Teerã. “Sem parar para reabastecer ou sem reabastecer durante o voo, essa missão fica impossível. E isso tudo torna um ataque israelense contra o Irã 100% mais complexo”, disse.

Uma participação americana ajudaria o país imensamente. “Em primeiro lugar, os EUA podem ajudar com os aviões de reabastecimento no ar, dos quais Israel possui apenas oito (um número baixo para lidar com cem unidades de F16i). Em segundo, os americanos têm dezenas de bases militares na região, principalmente no mar, com porta-aviões”, disse Johnson.

Segundo o analista, se uma missão israelense, sem participação americana, funcionasse perfeitamente, ela poderia destruir e bloquear as entradas de uma base nuclear iraniana. Mas no total elas são três ou mais. “Eles poderiam atrasar o programa, mas dificilmente conseguiriam terminá-lo completamente sozinhos”, afirmou Johnson.

Outra diferença que permeia o encontro desta segunda-feira são as políticas internas de cada país. Para Netanyahu, é importante conseguir o apoio dos EUA para um ataque que possa acontecer a qualquer momento, inclusive quando Israel decidir. Para Obama, a situação é mais complexa, principalmente tendo esse encontro um dia antes da Superterça, em que dez Estados votarão para decidir quem será o candidato republicano nas eleições de novembro .

Pró-conflito: Maioria dos pré-candidatos republicanos defende guerra contra Irã

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Foto de setembro de 2007 mostra arma antiaérea posicionada na instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã
O Irã se transformou no tema de relações exteriores mais comentado nas primárias republicanas, então grande parte da população está atenta às decisões de Washington quanto ao tema.

Apesar de os EUA terem gastado mais de U$ 3 trilhões nos últimos anos com duas guerras que duraram muito mais do que o esperado, terem 46 mil soldados feridos e mais de 6 mil militares mortos no Iraque e Afeganistão , 60% da população americana preferem que os EUA lancem um ataque militar a permitir que o Irã construa uma bomba atômica. Desse total, segundo uma pesquisa da semana passada do Centro de Pesquisa Pew, 50% apoiam um ataque militar imediato.

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