Com muita precaução e condições, Irã e Rússia abriram as portas, nesta sexta-feira, para, talvez, melhores relações com os EUA, na inauguração da 45ª Conferência Internacional de Segurança, em Munique.


Precavidos, ambos os países ofereceram sua mão, um dia antes de o vice-presidente americano, Joe Biden, pronunciar na Conferência o primeiro grande discurso de política externa na presidência de Barack Obama.

Em um gesto muito incomum por parte de uma autoridade iraniana, o presidente do Parlamento de Teerã, Ali Larijani, ex-negociador do programa nuclear, expressou uma opinião favorável a uma iniciativa diplomática americana, em referência à recente missão do enviado dos EUA George Mitchell, no Oriente Médio.

"O presidente dos Estados Unidos disse, recentemente, que enviaria gente para ouvir, e não para mandar", afirmou Larijani, na primeira sessão da Conferência de Munique, dedicada ao desarmamento nuclear. "É um sinal positivo", reconheceu.

Advertindo que "no passado, os Estados Unidos queimaram muitas pontes", Larijani disse perceber "uma mudança de estratégia dos Estados Unidos".

O ex-negociador nuclear repetiu que o Irã não tem "a bomba e não pretende se dotar" de armas atômicas e convocou Obama a "fazer esforços sinceros para cooperar com outras partes do mundo".

Larijani não anunciou se o Irã vai atender às exigências de transparência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da qual depende a suspensão das sanções internacionais impostas pela ONU a Teerã.

Rússia

Já o vice-primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, apresentou as posições tradicionais russas sobre o controle dos armamentos.

Ao falar das futuras negociações para a renovação do tratado Start, Ivanov pediu aos americanos que retifiquem sua idéia de armazenar, em vez de destruir, uma parte de seu armamento nuclear.

Ivanov reiterou que "o escudo antimísseis americano" projetado na Polônia e na República Tcheca" faz parte do dispositivo estratégico enviado pelos Estados Unidos para compensar a força de dissuasão russa", e não o arsenal balístico de países como o Irã, como diz Washington.

O vice-primeiro-ministro russo se pronunciou a favor de um sistema antimísseis que não seja estacionado unilateralmente pelos Estados Unidos - uma maneira de estender a mão a Joe Biden, em princípio hostil ao escudo antimísseis.

Ivanov se reunirá com Biden, em Munique, no contato de mais alto nível entre autoridades de ambos os países desde que Obama tomou posse, em 20 de janeiro.

O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Irã e Rússia que aproveitem a oportunidade para melhorar suas relações com os Estados Unidos.

"Ouvi um sinal animador em Washington  visando a uma redução significativa das armas nucleares estratégicas. O tempo urge", declarou Steinmeier.

O ministro alemão também comemorou que, "depois de longos anos de congelamento, o governo (americano) quer travar um diálogo direto com o Irã"."Aproveitem essa chance!", frisou, dirigindo-se ao regime iraniano.

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