Irã é rejeitado para conselho de agência da ONU para mulheres

Arábia Saudita conquistou vaga em órgão das Nações Unidas que terá a ex-presidente chilena Michelle Bachelet à frente

iG São Paulo |

O Irã foi rejeitado nesta quarta-feira pelo conselho de administração da ONU Mulheres, a nova agência das Nações Unidas destinada à condição feminina, enquanto que a Arábia Saudita conseguiu um assento.

A nova entidade, uma das prioridades da gestão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi criada em julho deste ano, depois de anos de negociações entre os Estados-membros e organizações internacionais de defesa dos direitos da mulher.

Inicialmente, o Irã teria vaga garantida na agência, já que era um dos dez países asiáticos candidatos às vagas reservadas ao continente. No entanto, o Timor Leste apresentou sua candidatura, gerando a necessidade de uma votação na Assembleia-Geral. A Arábia Saudita ganhará uma das vagas reservadas a doadores de fundos da ONU.

A nova agência terá 41 países membros e iniciará seus trabalhos em janeiro de 2011, unificando o trabalho de quatro antigas entidades da ONU relativas aos direitos das mulheres. A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, é a diretora-executiva da entidade.

As dúvidas em relação à nomeação do Irã como membro ocorrem em meio à polêmica sobre a condenação da iraniana Sakineh Ashtiani. Sakineh foi julgada culpada de adultério há muitos anos e condenada à morte por apedrejamento.

Repercussão

O caso ganhou repercussão internacional em julho, quando se divulgou que ela havia sido condenada à morte por supostamente ter assassinato o marido. Em setembro, o Irã anunciou a suspensão da execução por apedrejamento, mas disse que ela poderia ser enforcada devido à condenação por homicídio.

O governo iraniano é alvo frequente de relatórios de organizações internacionais por violações de direitos humanos e o tratamento dado às mulheres.

Na Arábia Saudita, mulheres só podem dirigir acompanhadas do marido e estão proibidas de tomar decisões importantes sem a permissão de um parente masculino.

Para colunistas de jornais árabes, Arábia Saudita como membro da nova agência têm como objetivo influenciar suas futuras decisões sobre a situação das mulheres em seus territórios. Segundo os jornais, eles tentarão exercer pressão para minar relatórios de condenação aos dois países.

*Com AFP e BBC

    Leia tudo sobre: irãagência onumulheresarábia sauditasakineh

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG