Irã e potências discutem programa nuclear em Genebra

Discussões começam um dia depois de governo iraniano anunciar avanço no enriquecimento de urânio

iG São Paulo |

Começaram nesta segunda-feira em Genebra, na Suíça, as negociações entre o Irã e seis potências mundiais sobre o programa nuclar iraniano. É a primeira negociação sobre o assunto em mais de um ano. Além do Irã, participam da reunião os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha), além da Alemanha.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pediu ao Irã que entre nas negociações de boa fé e com “uma análise muito mais sóbria do que significa o isolamento”, após várias rodadas sucessivas de sanções da ONU.

Porém, no domingo um anúncio feito pelo Irã provocou mal-estar: o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou que o governo enviou seu primeiro lote de urânio produzido no país a uma usina que pode deixá-lo pronto para enriquecimento.

“O Ocidente contava com a possibilidade de estarmos em dificuldades com a matéria-prima, mas hoje tivemos a primeira leva de concentrado de urânio da mina de Gachin enviada para a usina de Isfahan”, disse Salehi na TV estatal. "Isso quer dizer que o Irã se torna auto-suficiente no ciclo inteiro do combustível (nucelar)", completou.

Acreditava-se que o Irã tinha pouco estoque de urânio concentrado, originalmente importado da África do Sul nos anos 1970. O urânio enriquecido pode ser usado como combustível em reatores para a geração de energia ou utilizado para a fabricação de armamentos nucleares.

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de tentar produzir armas nucleares, o que o país nega. O governo iraniano alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos, para uso civil.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Mike Hammer, afirmou que o anúncio não é 'inesperado'. "O Irã tenta desenvolver um programa (nuclear) próprio há anos já que a importação é proibida pelas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", afirmou.

"No entanto, e levando em conta que a provisão própria de urânio do Irã não é suficiente para um programa de uso pacífico de energia nuclear, isto acrescenta dúvidas sobre as intenções do Irã", acrescentou Hammer.

A autoridade americana afirmou que o propósito das conversas é "demonstrar a preocupação de toda a comunidade internacional acerca das ações e intenções do Irã". "Veremos se o Irã chega a estas discussões com a seriedade requerida para atender as preocupações internacionais sobre seu programa nuclear", reiterou.

Com EFE e BBC

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