Irã e EUA trocam acusações sobre questão nuclear

Primeiro dia de reunião da ONU para revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear tem fortes discursos de Ahmadinejad e Hillary

iG São Paulo |

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Mahmoud Ahmadinejad discursa na sede da ONU
O primeiro dia da conferência da ONU para revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que acontece em Nova York, foi marcado pela troca de acusações entre Irã e Estados Unidos. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fizeram discursos com duras críticas na sede da organização, em um intervalo de algumas horas.

Mahmoud Ahmadinejad, único chefe de Estado presente na conferência, foi o primeiro a falar e acusou os Estados nucleares de ameaçarem aqueles que não têm esse tipo de arsenal e que buscam desenvolver tecnologia nuclear pacífica. Diante das declarações do líder iraniano, os delegados dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França se retiraram do local em protesto .

Mahmoud Ahmadinejad também pediu que "qualquer ameaça de uso de armas nucleares ou ataque contra instalações nucleares pacíficas seja considerada uma violação da paz e da segurança internacionais" e condenada pela ONU.

As declarações do líder iraniano foram interpretadas como uma referência à nova estratégia de defesa anunciada no mês passado pelos Estados Unidos, que restringe o uso do arsenal nuclear americano, mas diz que as determinações não se aplicam a países que "violem as regras", como o Irã e a Coreia do Norte.

Ahmadinejad disse ainda que os Estados Unidos deveriam ser suspensos da diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) por conta de suas ameaças de usar armas nucleares. "Como podem os Estados Unidos serem membros da diretoria quando usaram armas nucleares contra o Japão?", questionou.

Hillary Clinton

Em seu discurso, Hillary Clinton disse que o Irã representa um risco para o mundo por causa de seu programa nuclear e deve ser responsabilizado. "O Irã é o único país representado neste recinto que os membros da diretoria da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) consideraram estar em desacordo com suas obrigações de segurança nuclear", disse a secretária, diante de delegados de 189 países reunidos em Nova York para a conferência de revisão do TNP.

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Hillary Clinton discursa depois do líder iraniano
"(O Irã) desafiou o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a AIEA e colocou o futuro do regime de não-proliferação em risco, e é por isso que está enfrentando crescente isolamento e pressão por parte da comunidade internacional", disse Hillary.

Sobre o discurso de Ahmadinejad, ela disse: "Como todos vocês ouviram, o Irã fará o que puder para desviar a atenção de seu próprio histórico em uma tentativa de esquivar-se de responsabilidade. Mas não vai conseguir."

Arsenal americano

Ainda em seu discurso, Hillary anunciou que os Estados Unidos iriam divulgar o número de armas em seu arsenal nuclear, com o objetivo de aumentar a transparência no regime de desarmamento e encorajar outros países a fazer o mesmo.

Segundo dados divulgados pelo Departamento de Defesa pouco após o pronunciamento da secretária, os Estados Unidos têm 5.113 ogivas nucleares em seus estoques. "A partir de hoje, os Estados Unidos vão tornar público o número de armas nucleares em nossos estoques e o número de armas que desmontamos desde 1991", disse Hillary.

"Para aqueles que duvidam que os Estados Unidos irão fazer a sua parte no desarmamento, este é o nosso histórico, esse é o nosso comprometimento e eles enviam um sinal claro."

A questão nuclear vem ocupando lugar de destaque na agenda do presidente americano, Barack Obama. No mês passado, foi realizada em Washington uma Cúpula de Segurança Nuclear, com a presença de representantes de 47 países, que se comprometeram em trabalhar para que todo o material nuclear vulnerável esteja protegido no prazo de quatro anos.

Obama também assinou com a Rússia um acordo bilateral de redução dos arsenais nucleares dos dois países, considerado o principal tratado do tipo em duas décadas. Antes disso, o governo americano já havia anunciado uma nova estratégia de defesa, que restringe o uso de seu arsenal nuclear - embora abra exceção para países que "violem as regras", como Irã e Coreia do Norte.

Com BBC

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