Irã e Bolívia prometem ampliar cooperação e desafiam os EUA

TEERÃ (Reuters) - Os presidentes do Irã e da Bolívia prometeram na terça-feira lutar contra o imperialismo e fortalecer os laços entre os dois países, ignorando assim as preocupações manifestadas pelos Estados Unidos sobre a aproximação entre a República Islâmica e a nação sul-americana. Meios de comunicação iranianos disseram que o Irã desejava ampliar a cooperação com a Bolívia nos setores de petróleo e gás, entre outros. Segundo veículos oficiais, acordos foram assinados durante a visita de dois dias realizada pelo presidente boliviano, Evo Morales. Não se forneceram maiores detalhes a respeito.

Reuters |

A Bolívia, aliada do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é um dos vários países sul-americanos que recentemente melhoraram suas relações com o governo iraniano, deixando os EUA preocupados.

O Irã, um inimigo declarado dos norte-americanos, trava hoje uma disputa em torno de seus planos nucleares, os quais, segundo potências ocidentais, teriam por objetivo o desenvolvimento de bombas atômicas, algo que o governo iraniano nega.

'Nenhum país e nenhuma força pode atrapalhar nossa relação com o Irã revolucionário', disse Morales em uma entrevista coletiva realizada ao lado do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Em um comunicado, os dois países prometeram lutar contra o 'imperialismo'. Ambos os presidentes disseram que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não deveria interferir nos planos pacíficos do Irã para o setor nuclear.

'Somente por meio da união dos nossos países poderemos ter força', disse Morales, cujos comentários foram traduzidos pela Press TV, um canal iraniano que realiza transmissões em inglês.

Ahmadinejad, que costuma dar declarações atacando os EUA, afirmou que o Irã e a Bolívia acalentavam ideais semelhantes.

'Estamos um ao lado do outro e vamos nos ajudar mutuamente', disse.

Em uma referência clara aos EUA, o presidente iraniano afirmou: 'Claro que, quando se trata dos inimigos dos nossos países, vamos novamente ficar um ao lado do outro. Não interessa que alguns governos não apreciem a nossa relação.'

Na segunda-feira, Ahmadinejad havia dito que os dois países poderiam cooperar nas áreas de petróleo, gás, construção de refinarias, exploração de petróleo, equipamentos agrícolas e fábricas de laticínio.

AMIZADE COM CHÁVEZ

Morales, que chegou a Teerã na segunda-feira, disse querer ampliar os laços políticos, o comércio e os investimentos.

Apesar de possuir reservas substanciais de gás natural, a Bolívia enfrenta dificuldades para mandar a quantidade prometida do combustível ao Brasil e à Argentina.

O Irã, quarto maior produtor de petróleo do mundo, possui a segunda maior reserva de gás do planeta. O país também enfrenta problemas para ampliar a exportação de gás em parte devido às sanções norte-americanas, que prejudicam o acesso a tecnologias vitais.

Ahmadinejad, em busca de apoio para afastar as pressões surgidas durante o embate com potências ocidentais em torno da questão nuclear, visitou a Bolívia no ano passado. Naquela viagem, o dirigente iraniano prometeu gastar 1 bilhão de dólares com projetos de ajuda ao país latino-americano, um dos mais pobres do continente.

Na Bolívia, Morales trava uma batalha com adversários direitistas devido ao plano dele para realizar um referendo sobre uma nova Constituição. A oposição argumenta que o dirigente tenta usar a nova Carta Magna para continuar no poder por tempo indeterminado.

A amizade dele com Chávez, que usa a fartura de petróleo na Venezuela para promover o socialismo no continente e limitar a influência norte-americana, também deixou preocupado o governo dos EUA.

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