Irã diz que troca de combustível deve ser no seu território

O Irã disse nesta terça-feira que qualquer possível troca de combustível nuclear precisa ser realizada em seu território, condição rejeitada pelas potências ocidentais que buscam impedir Teerã de acumular material que possa enriquecer para produzir uma bomba.

Reuters |

Os Estados Unidos e seus aliados esperam conseguir nas próximas semanas a imposição de novas sanções das Nações Unidas contra o Irã devido à continuidade dos trabalhos de enriquecimento de urânio, depois do fracasso em fechar um acordo para a troca de combustível.

Mas a China expressou reservas quanto à adoção de novas sanções, dizendo que são necessários esforços diplomáticos maiores.

Os países ocidentais temem que o Irã queira armazenar urânio para enriquecê-lo até um grau que pudesse ser usado na fabricação de bombas nucleares. O Irã afirma que seu único objetivo é operar usinas nucleares para gerar eletricidade e produzir isótopos médicos.

"Para promover uma interação construtiva, declaramos nossa disposição em promover uma troca de combustível, desde que seja realizada dentro do país (o Irã)", disse o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast.

"Estamos dispostos a realizar uma troca de combustível, apesar de não considerarmos correta essa condição para o fornecimento de combustível para um reator de pesquisas em Teerã."

No início deste mês o Irã anunciou o início do enriquecimento de urânio a um grau de 20 por cento de pureza, o nível que teria recebido sob o acordo proposto de troca de combustível nuclear. Teerã disse que estava tomando a medida porque o Ocidente estaria procrastinando em relação à troca.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse em relatório na semana passada que o Irã pode estar trabalhando para desenvolver um míssil nuclear, com isso dando mais munição aos países ocidentais que esperam persuadir a China -- que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU -- a apoiar a adoção de sanções mais duras.

Mas a China, que já enfrentou sanções do Ocidente no passado, vem resistindo aos chamados por medidas intransigentes contra Teerã.

"Esperamos que as partes relevantes possam demonstrar flexibilidade para criar condições para resolver o problema nuclear do Irã de modo completo e apropriado, através de esforços diplomáticos", disse a jornalistas na terça-feira o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Qin Gang.

Mehmanparast disse que o Irã enviou carta à AIEA declarando sua disposição em cooperar no fornecimento de combustível para seu reator em Natanz -- uma oferta que é vista pelo Ocidente como inaceitável.

Uma cópia da carta à qual a Reuters teve acesso disse que o estoque de combustível para o reator iraniano de Natanz "está chegando ao fim."

Tanto os EUA quanto o Irã parecem estar elevando os trunfos em jogo no impasse.

O Irã disse na segunda-feira que já identificou locais potenciais para a construção de dez novas usinas de enriquecimento nuclear, duas das quais podem começar a ser construídas este ano. No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pediu um embargo ao setor energético iraniano, mesmo que a ONU não endosse a iniciativa.

O Irã acusa as potências ocidentais de fomentar protestos sem precedentes de oposicionistas ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, desde sua reeleição contestada em junho do ano passado. A turbulência mergulhou o Irã em sua pior crise interna desde a revolução islâmica de 1979.

Os EUA e Israel não excluem a possibilidade de ação militar contra o Irã em função do problema nuclear.


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