A segunda usina de enriquecimento de urânio que o Irã está construindo não é secreta, declarou nesta sexta-feira à AFP o diretor da Organização de Energia Atômica Iraniana (OIEA), Ali Akbar Salehi, em resposta aos protestos internacionais.

"Esta instalação não é um segredo e por isso sua existência foi anunciada à AIEA", afirmou.

O Irã anunciou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que está construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio, além da central de Natanz, informou a agência em Viena.

"Em 21 de setembro, o Irã informou à AIEA em uma carta que o país está construindo uma nueva usina de enriquecimento de urânio", afirma o porta-voz da agência da ONU, Marc Vidricaire, em um comunicado.

"Nesta carta, o Irã assegura à agência que informações complementares serão fornecidas no 'momento apropriado'", acrescenta a noita de Vidricaire.

"Em sua resposta, a AIEA pediu ao Irã que apresente informações específicas e conceda acesso à instalação o mais rápido possível. Isto permitirá à agência avaliar os requisitos para a verificação da proteção desta instalação", completa.

Até agora, o Irã tinha apenas uma usina de enriquecimento de urânio em funcionamento, em Natanz.

A carta destaca que o nível de enriquecimento seria de até 5,0%, que é um nível baixo de enriquecimento e não elevado o suficiente elevado para fabricar o material físsil de uma bomba atômica.

O urânio pouco enriquecido é utilizado para fabricar combustível nuclear.

"A agência também entende que segundo o Irã não foi introduzido material nuclear na instalação", completa o comunicado.

Em Teerã, a agência Isna destacou que a construção da segunda central de enriquecimento de urânio está efetivamente em curso e que a instalação é similiar à já existente em Natanz, mas não revelou mais detalhes.

A central de enriquecimento de urânio de Natanz, na província de Ispahan (centro), está sob vigilância de inspetores da AIEA e tem atualmente mais de 8.000 centrífugas, das quais 4.600 em atividade.

Os países ocidentais e Israel suspeitam que o Irã tenha um programa nuclear secreto com fins militares, o que Teerã nega.

Os presidentes americano Barack Obama e francês Nicolas Sarkozy, assim como o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, ameaçaram o regime de Teerã com novas sanções em função desta nova usina.

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