Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - A recém-iniciada produção iraniana de urânio enriquecido a 20 por cento está indo muito bem, disse nesta quinta-feira à Reuters o chefe da Organização de Energia Atômica da República Islâmica, Ali Akbar Salehi.

Ele afirmou ainda que o Irã teria capacidade para enriquecer urânio até 100 por cento --acima do nível que segundo especialistas seria necessário para o uso em armas nucleares--, mas que não tem intenção de fazê-lo.

"Não há limite no enriquecimento. Podemos enriquecer até 100 por cento (...). Temos esta capacidade, mas nunca tivemos a intenção e não temos a intenção de fazê-lo, a não ser que precisemos."

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quinta-feira que o Irã produziu seu primeiro lote de urânio enriquecido a 20 por cento, dois dias depois de o país ter anunciado o começo dessa operação na usina de Natanz.

Até agora, o Irã enriquecia urânio a 3,5 por cento, nível necessário para o uso em uma usina elétrica nuclear. Especialistas dizem que armas nucleares exigem urânio enriquecido a mais de 90 por cento.

Salehi disse que a produção do combustível mais enriquecido vai se limitar às necessidades de um reator de pesquisas médicas em Teerã, que é de 1,5 quilo por mês.

O avanço no enriquecimento de urânio no Irã preocupa o Ocidente, apesar de Teerã insistir no caráter pacífico da sua atividade, e na terça-feira o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a comunidade internacional se dirige "com bastante rapidez" à adoção de um quarto pacote de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) à República Islâmica.

Ecoando a fala de outros funcionários do governo, Salehi disse que eventuais sanções irão tornar o Irã "mais autoconfiante e mais autossuficiente."

Salehi disse ainda que nos próximos meses haverá "boas notícias" sobre a melhoria nas centrífugas de enriquecimento do país, e que a partir de março o país pode iniciar a construção de "uma ou duas" novas fábricas de urânio enriquecido. Atualmente, só há uma usina dessas em operação.

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