Irã diz que negocia se cessarem as ameaças

O Irã está disposto a um acordo sobre o enriquecimento de urânio caso os Estados Unidos e seus aliados ocidentais suspendam suas ameaças e passem a respeitar a República Islâmica, disse nesta sexta-feira o presidente Mahmoud Ahmadinejad à AFP.

AFP |

"Tudo é possível", declarou o presidente Ahmadinejad em entrevista exclusiva à AFP, em referência à quantidade de urânio que o Irã poderia enviar ao exterior em troca de combustível para seu reator de pesquisas em Teerã.

Segundo o líder iraniano, "400 quilos, 800 quilos, isto não é nada, mas não diante de um clima de ameaça". "Devem mudar seu vocabulário, falar com respeito e na legalidade. Neste caso, estamos dispostos a nos sentar e chegar a um acordo".

As grandes potências querem retirar do Irã até 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido, o que afastaria a possibilidade de o Irã fabricar uma arma atômica.

"Desde o início, entregar 1.200 quilos de urânio (levemente enriquecido) não era um problema para nós, mas eles transformaram isto em um escândalo político para nos pressionar. Disseram que queriam tomar este urânio para impedir que o Irã fabricasse a bomba".

Ahmadinejad destacou que "1.200 quilos não são uma grande quantidade". "Temos a tecnologia e produzimos atualmente este urânio a 3,5%. A questão é como (os ocidentais) agem conosco".

O presidente iraniano também destacou que as ameaças de sanções contra seu país não afetarão o Irã.

"Nos ameaçam agora com sanções, resoluções, pressões, é um passo atrás, não padeceremos desta situação".

Em 18 de novembro passado, Teerã rejeitou um projeto de acordo apresentado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), no dia 21 de outubro, que previa o enriquecimento do urânio de Teerã por um terceiro país para sua utilização no reator nuclear iraniano de pesquisa.

Segundo um responsável americano, o acordo determinava o "envio de 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido à Rússia" para que fosse enriquecido a 20%, antes de ser transformado na França em combustível para o reator de pesquisas de Teerã.

"Nossa política é transparente. Se quiséssemos fabricar uma bomba atômica, teríamos a valentia de assumir isto. Quando afirmamos que não vamos fabricá-la, é porque não acreditamos na bomba atômica", declarou Ahmadinejad.

sgh/LR

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