Ameaça foi feita após anúncio de novas sanções dos EUA ao sistema financeiro do país na última semana

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O Irã voltou atrás na ameaça de interromper o tráfego no estreito de Ormuz, que havia sido feita na última semana. O estreito é uma importante rota marítima do petróleo que vai do Golfo Pérsico para os países ocidentais.

Um alto oficial da Marinha iraniana, almirante Mahmoud Mousavi, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Irã não pretende fechar o estreito.

Seu comentário aconteceu no último dia de uma série de exercícios militares navais do país no local, durante os quais o Irã testou diversos mísseis de médio e longo alcance.

A ameaça à rota marítima foi feita após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos ao sistema financeiro do Irã na última semana.

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O governo disse que impediria a passagem de navios petroleiros pelo estreito caso os países ocidentais impusesse sanções à exportação do petróleo iraniano.

Demonstração de força

No início desta segunda-feira, o Irã anunciou ter testado com sucesso um míssil de cruzeiro terra-mar de longo alcance no estreito de Ormuz, após dez dias de manobras militares.

O míssil Ghader foi construído por especialistas iranianos e teria um alcance de 200 km, suficiente para atingir alvos no Golfo.

A manobra é vista como uma demonstração de força do país, já que indica que ele poderia atingir bases americanas e israelenses.

No domingo, o Irã também testou mísseis de médio alcance , segundo a mídia estatal.

Os exercícios militares acontecem em um momento de grandes tensões entre o Ocidente e o Irã por causa de suas ambições nucleares.

Teerã reagiu com raiva a relatos de que as nações ocidentais estavam planejando impor novas sanções aos setores financeiro e petrolífero do Irã.

Na última terça-feira, o vice-presidente iraniano Mohammad Reza Rahimi ameaçou fechar o estreito de Ormuz, na costa sul do país, que é o canal por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo.

Mas nesta segunda-feira, Teerã disse que "simulações" de um fechamento do estreito foram feitas pelos militares, mas que não havia intenção de fechá-lo.

"Não foi dada nenhuma ordem para o fechamento do estreito de Ormuz. Mas estamos preparados para diversas situações", disse o chefe da Marinha Habibollah Sayyiari, citado pela TV estatal.

O correspondente da BBC em Teerã, James Reynolds, diz que Irã está usando os exercícios para tentar mostrar que comanda o Golfo e que tem capacidade militar de defender-se de qualquer ameaça a sua dominação.

Reynolds diz ainda que o país não pode bloquear suas próprias exportações de petróleo. "O Irã tira metade da sua renda da exportação de petróleo cru e o alto preço do combustível mantém o governo iraniano com dinheiro e pode."

Os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares - uma acusação que o país nega.

Teerã insiste que seu programa nuclear é atende somente a propósitos pacíficos e que precisa de tecnologia nuclear para suprir sua demanda interna de eletricidade.

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