Irã diz que não cederá à pressão contra resultado de eleição

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira que o país não cederá a pressões sobre o polêmico resultado das eleições presidenciais realizadas no último dia 12. Segundo Khamenei, os resultados não serão alterados, apesar dos protestos violentos que deixaram diversos mortos nas ruas da capital, Teerã.

BBC Brasil |

"O governo e a nação não cederão às pressões a nenhum custo", afirmou Khamenei, que já havia pedido o fim dos protestos.

A oposição também divulgou mensagens em que afirma que não abandonará a disputa contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O candidato presidencial derrotado e principal líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, não aparece em público há uma semana. Apesar disso, uma nota publicada por sua esposa no site do político afirma que os protestos vão continuar.

Na nota, Zahra Rahnavard diz que está comprometida com a campanha contra o resultado das eleições e que as autoridades iranianas devem respeitar o direito de protesto e não utilizar a violência contra os manifestantes.

"É meu dever continuar os protestos legais para preservar os direitos dos iranianos", diz a nota da mulher de Mousavi.

Rahnavard pediu ainda a libertação dos manifestantes detidos desde o início dos protestos. Entre eles estão 25 empregados do jornal Kalemeh Sabz, de propriedade de seu marido, que foi fechado pelas autoridades iranianas.

Embate diplomático
O Irã vive uma onda de protestos desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado o vencedor das eleições. Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad e exige a convocação de uma nova eleição.

O aiatolá concordou em ampliar o prazo para análise das queixas contra o resultado das eleições, mas o Conselho dos Guardiões do Irã - órgão que supervisiona o processo eleitoral - descartou a anulação da votação.

O governo do Irã enfrenta ainda pressão da comunidade internacional pelo fim da repressão aos protestos realizados pela oposição.

Na terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon disse que estava "preocupado" com a crise política no país e pediu que o governo do Irã "respeite os direitos civis e políticos, especialmente a liberdade de expressão, de associação e de informação".

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reagiu à expulsão, ordenada pelo governo do Irã, de dois diplomatas britânicos do território iraniano.

Em resposta, Brown anunciou a expulsão de dois diplomatas iranianos que ocupavam posições equivalentes na Grã-Bretanha.

"A decisão do Irã em transformar o que é claramente uma questão interna em um conflito com o Reino Unido e outros países é profundamente lamentável e sem fundamento", afirmou um porta-voz do primeiro-ministro britânico.

Nesta quarta-feira, o governo iraniano afirmou que está revisando as relações com a Grã-Bretanha depois do aumento da tensão diplomática entre os dois países.

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