Irã diz que manterá programa nuclear

TEERÃ - O Irã dará prosseguimento a seu programa nuclear, afirmou na quarta-feira a maior autoridade do país, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, pouco antes de expirar um prazo dado por potências mundiais para que o governo iraniano respondesse a uma proposta.

Reuters |

Potências ocidentais concederam ao Irã duas semanas de prazo, a contar do dia 19 de julho, antes de retirar da mesa uma proposta de suspender a adoção de novas sanções via Organização das Nações Unidas (ONU) se o país deixasse de ampliar seu programa.

Isso sugeriria que o prazo final esgota-se no sábado, apesar de a Rússia, uma das seis potências envolvidas no processo, ter sido contrária à fixação de uma data-limite.

O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, disse que, se o Irã prosseguir com suas atividades, deverá haver uma 'resposta imediata, firme e incisiva' da parte dos países europeus.

'Estou muito desapontado com o último comentário feito pelo senhor Khamenei sobre a intenção deles de continuar, sob qualquer hipótese, com o programa nuclear de enriquecimento de urânio', afirmou.

Segundo uma rádio iraniana, o líder supremo disse que o Ocidente desejava impedir o Irã de dominar a tecnologia nuclear com a qual pretende gerar eletricidade.

'A nação iraniana, ao aprofundar a útil experiência e as vantagens de 30 anos de resistência, não presta nenhuma atenção a tais declarações e prosseguirá em seu caminho', afirmou Khamenei, que possui a palavra final em todas as questões de Estado.

Países do Ocidente acusam o Irã de tentar desenvolver bombas atômicas sob o disfarce de um programa civil de energia.

O país islâmico, o quarto maior produtor de petróleo do mundo, rebate as acusações.

A idéia do congelamento visa fazer com que as negociações complementares iniciem-se, apesar de as negociações oficiais sobre um pacote de incentivos oferecido ao Irã para convencê-lo a abrir mão do enriquecimento de urânio somente começariam quando o país suspendesse seu programa.

O governo iraniano rejeitou a sugestão no passado e não deu sinais, até agora, de que está pronto para adotar qualquer tipo de congelamento.

Um importante diplomata disse que a União Européia (UE) havia concordado em ampliar as sanções da ONU contra o Irã, mandando que instituições financeiras impusessem 'restrições' aos créditos de exportação e permitindo que seus navios inspecionassem todos as embarcações com destino ao Irã.

No entanto, a UE somente adotará as medidas necessárias para implementar o último pacote de sanções da ONU na próxima semana, depois de esgotado o prazo de duas semanas.

'A Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e a Itália desejam ser enérgicas e ir além da 1.803 (número da resolução do Conselho de Segurança da ONU), implementando aquilo de que tiverem de abrir mão diante da Rússia e da China para ver a resolução aprovada no Conselho de Segurança', afirmou o diplomata.

(Reportagem adicional de Yves Clarisse em Bruxelas e Redação de Londres)

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