TEERÃ, Irã (Reuters) - Na segunda-feira, alguns dias depois de um jornal norte-americano ter dito que as forças israelenses pareciam ter ensaiado um bombardeio contra as instalações nucleares do Irã, o país islâmico afirmou que Israel não poderia ameaçá-lo. O Irã e Israel realizaram, neste mês, uma troca de palavras duras a respeito da suspeita de que os iranianos tentam desenvolver armas nucleares, algo que contribuiu para a alta dos preços internacionais do petróleo.

'Eles não possuem a capacidade de ameaçar a República Islâmica do Irã', afirmou em uma entrevista coletiva Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país.

Hosseini havia sido questionado sobre uma reportagem publicada na sexta-feira pelo jornal The New York Times, citando autoridades norte-americanas segundo as quais jatos israelenses realizaram um exercício militar neste mês, no Mediterrâneo, que parecia ser um treinamento para uma missão contra o Irã.

'Eles (os israelenses) enfrentam várias crises internas e desejam extrapolar essa questão para encobrir seus problemas.

Algumas vezes, eles aparecem com essas palavras de ordem sem sentido', disse Hosseini, em comentários traduzidos pelo canal iraniano Press TV, que realiza transmissões em inglês.

No domingo, o ministro iraniano da Defesa acusou Israel de realizar uma 'guerra psicológica' e disse que seu país daria uma resposta 'devastadora' a qualquer tipo de ataque.

Na sexta-feira, Mohamed ElBaradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse que uma ação militar contra o Irã transformaria o Oriente Médio em uma bola de fogo e faria com que os iranianos resolvessem em definitivo pelo desenvolvimento de bombas atômicas.

Potências ocidentais suspeitam que o país islâmico tenta obter tais armas, e a Eslovênia (que ocupa atualmente a Presidência rotativa da União Européia, UE) afirmou que o bloco de 27 nações havia combinado fechar um novo pacote de sanções contra o Irã na segunda-feira devido à recusa do país em suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

Israel, apontado como o único Estado do Oriente Médio a dispor de um arsenal nuclear, descreveu o programa nuclear iraniano como uma ameaça a sua existência.

No começo deste mês, o ministro israelense dos Transportes, Shaul Mofaz, afirmou a um jornal do país que o ataque contra o Irã parecia 'inevitável' já que as sanções adotadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) até agora não haviam conseguido impedir os iranianos de continuar desenvolvendo uma tecnologia capaz de ser usada na fabricação de bombas atômicas.

O governo do Irã, que não reconhece oficialmente a existência de Israel e que prevê regularmente o desaparecimento do Estado judaico, diz que seu programa nuclear é pacífico e que visa apenas à geração de eletricidade.

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