Teerã, 13 abr (EFE).- As autoridades iranianas descartaram hoje a possibilidade de que a explosão ocorrida no sábado no sul do país, que matou 12 pessoas e feriu outras 202, tenha sido causada por uma ação terrorista.

A versão oficial afirma que a explosão se deveu à detonação de munição e material militar armazenado em um edifício contíguo à mesquita xiita de Seyyed ul-Shohada, onde as vítimas assistiam a um discurso religioso quando ocorreu o acidente.

"Os primeiros resultados da investigação indicam que não se trata de uma ação de sabotagem", disse o general Ali Moyedi, chefe da Polícia da província de Fars, em cuja capital, Shiraz, aconteceu a explosão.

Moyedi, citado pela rede de televisão "Alalam", explicou que o local da explosão sediou, "há algum tempo, uma exposição de armas e munição".

"É possível que a causa seja a negligência dos responsáveis por essa exibição, que abandonaram material militar no lugar", afirmou.

A exposição aconteceu para comemorar o aniversário da Guerra Irã-Iraque (1980-1988), chamada pelo Irã de "batalha da defesa sagrada".

Moyedi, assim como o porta-voz do ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Mohammad-Ali Hosseini, afirmaram que, de todo modo, a "investigação ainda continua, para esclarecer as causas exatas do ocorrido".

O governador-geral da província de Shiraz, Ebrahim Azizi, informou que os 202 feridos foram transferidos para 15 hospitais de Fars, e que 60 deles receberam tratamento médico e foram liberados.

Vinte e oito pessoas foram operadas, dentre as quais 20 continuam na Unidade de Terapia Intensiva, acrescentou.

No entanto, a versão oficial contradiz as declarações do clérigo xiita que discursava na mesquita no momento do incidente, e que foi citado pela imprensa da região, a quem revelou que a explosão foi ocasionada pela detonação de uma bomba de efeito retardado.

O clérigo, que fazia um discurso criticando as doutrinas wahhabista e bahaísta, ilegais no Irã, não descartou a possibilidade de que membros desta última estejam por trás do ocorrido.

A opinião do clérigo não foi confirmada por nenhuma autoridade do Governo, enquanto a Comissão Parlamentar de Segurança Nacional e Política Externa anunciou que, de todos os modos, foi constituída uma comissão de especialistas da Polícia e do Exército para "investigar e esclarecer o ocorrido com exatidão".

A província de Fars, importante centro da indústria petrolífera do Irã, fica na fronteira com o Iraque, e abriga uma grande comunidade de iranianos sunitas, muitos deles contrários ao regime xiita de Teerã.

Os atentados a bomba não são freqüentes no Irã, apesar de o país ter sido palco em 2005 e em 2006 de vários ataques com explosivos, principalmente nas regiões sudoeste e noroeste, na fronteira com o Iraque.

O Governo iraniano acusou várias vezes as "tropas de ocupação" no Iraque (Estados Unidos e Reino Unido) de apoiarem "grupos terroristas" ativos contra Teerã.

Os meios de comunicação do Irã costumam informar sobre a morte de "elementos terroristas" em enfrentamentos com agentes iranianos no oeste do país, área de atuação de milicianos do Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK).

A "Alalam" se referiu ontem à noite à morte de "um dos líderes do PJAK" em um tiroteio registrado na terça-feira em Maryam (noroeste), de onde "tentava se infiltrar no país para cometer ações de sabotagem".

Em março, as autoridades anunciaram a morte dos membros de duas células terroristas em um tiroteio similar e, embora não tenham divulgado o número exato, afirmaram que "iriam cometer ações de sabotagem" no Curdistão durante as eleições gerais de 14 de abril.

Teerã também acusa por "atos terroristas" a organização radical sunita Jundollah (Exército de Alá), supostamente vinculada à rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden.

Esse grupo assumiu alguns atentados no Irã, inclusive um realizado em fevereiro de 2007, quando a explosão de um carro-bomba na província de Sistão-Baluchistão matou 11 pessoas, dentre as quais diversos militares iranianos. EFE fa/wr/gs

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