Irã diz que está disposto a vender tecnologia nuclear a outros países

Teerã, 29 ago (EFE).- O Irã anunciou hoje que domina todo o processo de enriquecimento de urânio e que se transformou em fornecedor de tecnologia nuclear, com capacidade para vender a outros países.

EFE |

Em declarações divulgadas hoje pela televisão estatal, o ministro da Economia em funções, Shamseddin Hosseini disse que, "apesar das sanções e as ameaças, nosso país entrou no mercado de produtos nucleares".

"Além disso, dominamos todo o processo de enriquecimento de urânio", acrescentou o responsável, citado pela rede "PressTV".

Hosseini não detalhou, no entanto, que tipo de produtos nucleares o Irã desenvolveu, se já tem clientes e, em caso afirmativo, de que países se tratam.

O anúncio ocorre apenas 24 horas depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou seu mais recente relatório sobre o polêmico programa nuclear iraniano.

O documento, considerado favorável por Teerã, indica que o regime iraniano desacelerou o ritmo de produção de urânio enriquecido pela primeira vez em anos, mas reitera que persistem as dúvidas sobre o objetivo final de seu programa.

Embora destaque que Teerã deu acesso aos inspetores da ONU a seu complexo nuclear de Natanz, ressalta que o Irã não respondeu às questões sobre os possíveis aspectos militares de seu esforço atômico.

A comunidade internacional, com os Estados Unidos, Israel e os principais países da União Europeia (UE) à frente, acusa o Irã de esconder sob seu programa civil outro de caráter militar, cujo objetivo final seria adquirir armas atômicas.

Teerã nega as acusações e insiste em que sua meta é a aplicação civil da energia nuclear.

"Nos últimos 17 anos, houve mais de 20 relatórios do diretor-geral nos quais repetiu ao mundo que não existem provas de um desvio do material nuclear ou de nossa atividade nuclear", explicou o representante iraniano perante a AIEA, Ali Asghar Soltaniyeh.

Os EUA responderam que o relatório mostra que o Irã continua com a ampliação de seu programa, apesar de apontar ao arrefecimento na produção de material nuclear.

Em declarações aos jornalistas, Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado americano, insistiu em que Teerã não esclareceu alguns aspectos, como seus antigos esforços para desenvolver uma ogiva nuclear e outras dimensões militares possíveis. EFE jm/an

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