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Irã diz que enriquecimento de urânio é margem de segurança

Por Parisa Hafezi e Zahra Hosseinian TEERÃ, Irã (Reuters) - O Irã afirmou na terça-feira que o enriquecimento de urânio representava sua margem de segurança e que continuaria com essas atividades apesar de um novo pacote de incentivos oferecido por potências mundiais a fim de convencê-lo a abandonar seu programa atômico.

Reuters |

O principal diplomata da União Européia (UE), Javier Solana, apresentou ao governo iraniano, no sábado, um novo pacote com benefícios econômicos e disse que o país islâmico deveria parar de enriquecer urânio durante as negociações em torno da implementação dos incentivos.

As potências ocidentais temem que o Irã esteja tentando desenvolver armas atômicas. O governo iraniano nega.

'Dissemos por várias vezes que o enriquecimento de urânio representa nossa margem de segurança e que temos o direito de dominar essa tecnologia. Nossos esforços prosseguirão', afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Alireza Sheikhattar, a repórteres, segundo a agência iraniana de notícias Irna.

O pacote de incentivos elaborado pelos EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha no mês passado e repassado por Solana é uma versão revisada de um pacote já rejeitado pelo Irã em 2006.

Potências ocidentais alertaram que o país islâmico pode sofrer novas sanções se rechaçar a oferta. O governo iraniano, porém, não deu sinais de que mudará de opinião e disse não ter pressa em responder à proposta de incentivos, que estaria sendo avaliada.

'Vamos dar-lhes nossa resposta o mais cedo possível. Mas não sabemos exatamente quando isso ocorrerá', afirmou uma autoridade iraniana.

O pacote de incentivos oferece ao Irã a chance de desenvolver um programa civil de energia nuclear com reatores de água leve -- considerados mais difíceis de serem usados na fabricação de bombas atômicas -- e sem ter acesso direto à produção de combustível para essas instalações.

Também são oferecidos aos iranianos outros benefícios, entre os quais benefícios comerciais tais como a possibilidade de comprar aviões civis do Ocidente.

Um conhecido grupo de pesquisa de Washington, o Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional (Isis), disse que o pacote continha dois acréscimos importantes.

O Isis destacou um trecho do texto no qual se afirma que as potências dariam 'apoio' à continuação da pesquisa e do desenvolvimento na área de energia nuclear 'à medida que a confiança (a respeito das intenções do Irã) for sendo gradualmente retomada'.

Isso sugeria que a pesquisa e o desenvolvimento continuariam a ocorrer mesmo durante a suspensão do enriquecimento de urânio e indicaria um cronograma mais longo para resolver as questões centrais.

O Isis afirmou ainda que a oferta incluía uma eventual garantia na área de segurança, uma grande preocupação do Irã, ao citar a prontidão para 'reafirmar as obrigações sob a Carta da ONU (Organização das Nações Unidas) para evitar o uso da força contra a integridade territorial (do Irã).'

(Mark Heinrich em Viena)

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