Irã diz que China não está perto de apoiar sanções

Por Ramin Mostafavi TEERÃ (Reuters) - A chancelaria iraniana disse na terça-feira que não acredita que a China esteja prestes a aprovar novas sanções da ONU ao programa nuclear do país, como querem os EUA.

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O assunto foi discutido na segunda-feira em Washington entre os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Hu Jintao, depois de a China anunciar que participaria da redação de uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Irã.

A chancelaria chinesa disse que Hu afirmou a Obama que os dois países têm interesses comuns no sentido de conter o programa nuclear iraniano, mas que o presidente chinês não chegou a manifestar aval a novas sanções.

Em Teerã, Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria iraniana, disse a jornalistas na terça-feira: "Não acreditamos que esses comentários confirmem os (comentários) norte-americanos, ou signifiquem que (a China) esteja cooperando com eles em qualquer tipo de ação injusta."

O Ocidente suspeita que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, apesar de Teerã insistir no caráter pacífico das suas atividades.

O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã disse que eventuais sanções terão um impacto limitado sobre o progresso nuclear do país. "É claro que as sanções vão nos afetar. Mas isso só irá adiar nossos projetos. Não vamos parar nossos projetos", disse Ali Akbar Salehi em entrevista no site da CBS News. "Então vamos ter de arranjar nossos próprios sistemas industriais."

Mehmanparast alertou que novas sanções ao Irã, quinto maior exportador mundial de petróleo, podem causar prejuízos a outros países. "Qualquer país que ajudar (o Ocidente) a esse respeito irá se privar (...) dos interesses que poderia desfrutar tendo relações com o Irã", disse o dirigente.

Também na terça-feira, uma porta-voz da chancelaria chinesa disse que Pequim apoia uma "estratégia de pista dupla" com relação ao Irã, o que significa a possibilidade de sanções caso a diplomacia fracasse. Essa porta-voz reiterou, no entanto, a posição chinesa de preferir uma solução negociada.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Sylvia Westall em Viena)

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