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Irã diz que acordo nuclear está próximo

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o país está próximo de alcançar um acordo com as potências mundiais em relação ao seu programa nuclear. Mottaki, que está na Alemanha, disse que o acordo, pelo qual urânio iraniano seria enriquecido no exterior e só então devolvido ao país para uso não-militar, poderia ser alcançado em um futuro não tão distante.

BBC Brasil |

"Nas atuais condições, creio que estamos nos aproximando de um acordo final que possa ser aceito por todas as partes", disse Mottaki, em uma entrevita coletiva durante uma conferência internacional que reúne autoridades de segurança, em Munique.

"A República Islâmica do Irã demonstrou que é séria em relação a isto (a possibilidade de acordo), e no mais alto nível."

Mottaki não esclareceu, entretanto, questões centrais envolvendo o tempo e a escala dessa operação. Ele insistiu que a quantidade de urânio a ser enriquecida deve ser definida por seu país.

O correspondente da BBC para o Irã, Jon Leyne, disse que as declarações do ministro podem ser apenas uma nova tentativa de protelar sanções internacionais contra o país.

Idas e vindas

Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.

Mas em janeiro, diplomatas informaram que o Irã havia rejeitado os termos do acordo, pedindo uma troca simultânea entre o urânio e o combustível em seu próprio território.

Dias depois, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que "não haveria problema" em enriquecer o urânio de seu país no exterior - declaração que foi recebida com cautela no ocidente.

Entre as idas e vindas do regime iraniano, EUA, a Grã-Bretanha e a França passaram a discutir abertamente novas medidas de pressão.

Já a China, que se opôe a novas sanções, afirmou que é preciso paciência nas negociações, neste "momento crucial".

"As partes envolvidas devem ter em mente a visão do todo e o interesse de longo prazo, aumentar os esforços diplomáticos, manter a paciência e adotar uma política mais flexível, pragmática e proativa", disse o ministro chinês do Exterior, Yang Jiechi, que também está na conferência de Munique.

"O objetivo é encontrar uma solução ampla, definitiva e de longo prazo através do diálogo e das negociações."

As declarações do ministro iraniano não suscitaram reação imediata dos países ocidentais.

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