Irã diz não ter sentido negociar violência no Iraque com o EUA

Por Hossein Jaseb TEERÃ, Irã (Reuters) - Na segunda-feira, o Irã acusou forças lideradas pelos EUA de promoverem um massacre do povo iraquiano e disse que novas negociações com o governo norte-americano a respeito do combate à violência no país vizinho não teriam sentido neste momento.

Reuters |

O Ministério das Relações Exteriores, em um comunicado, suspendeu na prática a realização de novos encontros entre os dois arqui-rivais, que no passado mantiveram três rodadas históricas de reuniões em Bagdá, aquecendo um pouco suas relações diplomáticas, congeladas há quase três décadas.

O Iraque disse várias vezes que não deseja ver seu território transformado em um campo de batalha para uma guerra por procuração a ser travada entre os EUA e o Irã, que também se desentendem devido às ambições nucleares iranianas.

As autoridades iraquianas mostraram-se frustradas com o fato de uma quarta rodada de negociações não ter decolado.

'Neste momento, o que vemos no Iraque é um massacre da nação iraquiana pelas forças de ocupação', disse Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em uma entrevista coletiva.

'Em vista dessa situação, os contatos com os EUA não teriam resultado e não fariam sentido.'

Hosseini não forneceu detalhes, mas as forças norte-americanas vêm enfrentando em Bagdá, diariamente e há várias semanas, milicianos fiéis ao clérigo xiita e anti-EUA Moqtada al-Sadr.

O governo norte-americano acusa o Irã de financiar, armar e treinar elementos 'violentos' da milícia Exército Mehdi, de Sadr, a fim de atacarem as forças do Iraque e dos EUA.

O governo iraniano responsabiliza a presença norte-americana em território iraquiano pela violência verificada ali.

Um porta-voz da Embaixada dos EUA em Bagdá afirmou que seu país continuava disposto a negociar. 'Continuamos abertos a realizar novos encontros se ficar claro que o Irã está adotando medidas construtivas para interromper o fluxo de armas e dar provas de suas intenções positivas em relação ao Iraque', afirmou.

No domingo, um porta-voz do governo iraquiano disse que não cabia ao Irã discutir as ações militares dos EUA no Iraque.

'Essa é uma questão interna', afirmou Ali al-Dabbagh, o porta-voz iraquiano, acrescentando que seu governo desejava ver os dois países dando prosseguimento a suas negociações.

A chancelaria iraniana também manifestou seu apoio ao governo do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, em seus esforços de combate às milícias xiitas 'ilegais'.

Uma delegação iraquiana havia pedido ao Irã que parasse de dar apoio a tais grupos.

Maliki determinou a formação de um comitê encarregado de reunir provas da 'interferência' iraniana em Bagdá, provas essas que seriam então apresentadas ao Irã, afirmou Dabbagh.

Os laços entre os dois países melhoraram depois da deposição de Saddam Hussein, um dirigente sunita, pelos EUA e suas forças aliadas. Atualmente, um governo xiita controla o Iraque.

(Reportagem adicional de Parisa Hafezi, Dean Yates e Aseel Kami, em Bagdá)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG