Irã diz defende diálogo, mas promete não renunciar a direitos nucleares

Javier Martín. Teerã, 7 set (EFE).- O Irã não renunciará ao que considera seus direitos nucleares inalienáveis, mas está disposto a dialogar com Ocidente dentro de uma postura justa e lógica, anunciou hoje o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

EFE |

Seguro e desafiante, o líder ultraconservador disse nesta segunda-feira que "a questão nuclear é um capítulo encerrado", e que seu renovado gabinete criará uma nova estratégia diplomática para combater os sistemas unilaterais e monopolistas, além de encorajar a reforma da ONU.

"Estamos dispostos a conversar e trocar pontos de vista em uma direção correta para resolver os desafios do mundo, mas o Irã nunca negociará os evidentes direitos de nosso povo", alertou.

Estados Unidos, Israel e os principais países da União Europeia (UE) acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de caráter militar cujo objetivo final seria adquirir um arsenal atômico.

O Irã nega as alegações e reitera que sua meta é a aplicação desta controvertida energia em projetos pacíficos, como a geração de eletricidade.

Na semana passada, o chamado grupo 5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) mais a Alemanha, se reuniu para analisar o programa nuclear iraniano e criar uma estratégia futura.

Sobre a mesa, discutiu a opção de endurecer as sanções econômicas se considerar que o Irã não colabora o suficiente, uma possibilidade apoiada por países como França e Alemanha, mas que não parece ter o respaldo necessário na comunidade internacional.

Ahmadinejad minimizou hoje a legitimidade do 5+1 para negociar a polêmica nuclear com Teerã e assinalou que o Ocidente deve mudar certas condutas se realmente deseja avançar no assunto.

"Esperamos que os representantes de alguns países ocidentais mudem sua atitude se quiserem impor suas decisões finais, porque o Irã não daria boas-vindas a isso", explicou.

"Embora a nação iraniana possa transformar as ameaças em oportunidades únicas, a continuidade da atual aproximação não beneficiará a ninguém", alertou.

Neste sentido, reiterou que seu país acredita que as questões relacionadas com o polêmico programa nuclear devem estar ligadas ao código jurídico da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Para nós, a questão nuclear está encerrada. Prosseguiremos com nosso trabalho dentro das regulações mundiais e em colaboração com a AIEA", recalcou.

Ahmadinejad assinalou, no entanto, que seu país enviará esta semana um novo pacote de propostas ao 5+1.

Responsáveis iranianos anteciparam que este pacote não se limita à questão nuclear iraniana, e faz referência a temas como o uso pacífico da energia nuclear e a criação de um organismo para evitar a proliferação de armas atômicas.

"O pacote que preparamos explica os problemas atuais do mundo e uma série das soluções sábias para resolver os mesmos", disse Ahmadinejad.

Em seu longo discurso, na qual também repassou a situação econômica e política no Irã, agitado pelas denúncias de fraudes e abusos durante as eleições presidenciais, Ahmadinejad também voltou a dirigir-se ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O líder iraniano propôs novamente realizar um debate pela televisão com Obama para discutir em público os males que afligem o mundo.

"Já disse na época do presidente George W. Bush e volto a repetir hoje. Estamos dispostos a falar das questões internacionais diante da imprensa. Há melhor maneira de solucionar os problemas?", questionou.

O presidente iraniano confirmou ainda que viajará no final de mês a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nos EUA, Ahmadinejad pronunciará um discurso, oferecerá várias coletivas de imprensa e participará de "conferências internacionais". EFE jm-msh/mh

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