Irã diz a EUA que devem demonstrar mudança política, não tática

Por Zahra Hosseinian TEERÃ (Reuters) - O Irã disse na quarta-feira que saudará a oferta feita pelo presidente Barack Obama de uma mudança na política norte-americana, desde que esta inclua a retirada de tropas americanas no exterior e um pedido de desculpas por crimes passados cometidos pelos EUA contra Teerã.

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O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad falou depois de Obama ter oferecido estender uma mão em gesto de paz, desde que o Irã "descerrasse seu punho".

Foi uma mudança de enfoque em relação a George W. Bush, que procurou isolar Teerã, e diplomatas ocidentais disseram que a mudança em Washington pode oferecer uma chance "do tipo que só aparece uma vez em uma geração" para os dois países adversários porem fim a três décadas de hostilidade.

Mas os diplomatas disseram que, ao mesmo tempo em que algumas vozes pragmáticas no Irã querem relações melhores com o Ocidente, outras vozes mais de linha dura que controlam alavancas-chaves do poder podem bloquear a abertura, temendo que Washington ainda queira minar o governo iraniano.

"Saudamos a mudança, desde que seja uma mudança fundamental e no caminho certo", disse Ahmadinejad em um comício no oeste do Irã, transmitido ao vivo pela televisão estatal.

"Quando dizem que a política mudaria, significa que eles poriam fim à presença militar dos EUA no mundo", disse o presidente iraniano, referindo-se às tropas norte-americanas no Iraque, Afeganistão e outras regiões do mundo.

Ahmadinejad disse que qualquer mudança que não passasse de modificação tática "seria revelada em pouco tempo".

"Àqueles que dizem querer mudar, esta é a mudança que devem promover: devem pedir desculpas à nação iraniana e tentar compensar por seu passado sombrio e pelos crimes que cometeram contra a nação iraniana", disse ele.

Qualquer decisão sobre um diálogo EUA-Irã precisará da aprovação do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, a mais alta autoridade iraniana. Khamenei disse em outubro que o ódio aos EUA é profundo no Irã e, em janeiro, avisou aos líderes iraquianos que não se pode confiar nos governos norte-americanos.

A nova administração americana já disse que Obama romperia com seu antecessor, buscando conversações diretas com Teerã, mas também já avisou o Irã de que pode prever sofrer mais pressões se não obedecer à exigência do Conselho de Segurança da ONU de suspender sua atividade nuclear.

Washington e seus aliados ocidentais acusam o Irã de tentar construir armas nucleares. Teerã nega a acusação e se recusa a suspender atividades que insiste serem seu direito soberano.

O presidente iraniano apresentou uma lista de supostos crimes dos EUA, como tentar bloquear o que Teerã afirma ser um programa nuclear pacífico de geração de energia, criar obstáculos ao desenvolvimento do Irã desde a revolução de 1979 e outras ações realizadas por várias administrações americanas há mais de 60 anos.

Ahmadinejad falou com aspereza sobre o antecessor de Obama: "Bush entrou para a lata de lixo da história com um histórico muito negro e vergonhoso, repleto de traição e mortes."

"Ele partiu e, se Deus quiser, irá para o inferno," acrescentou.

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