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Irã deve ser país mais afetado por baixa de petróleo, dizem analistas

O Irã deve ser o mais afetado entre os países produtores de petróleo com a queda do preço do produto causada pela crise econômica global, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil. A indústria iraniana já sofre por falta de investimentos e a redução do preço do petróleo sem dúvida terá conseqüências para o orçamento interno, afirma Abdel Moneim Said, diretor do Centro de Estudos Políticos Al Ahram, no Cairo, que lembra que o Irã já vinha sofrendo por causa das sanções internacionais impostas contra o país.

BBC Brasil |

Para o diretor do centro político jordaniano Al Quds, Oraib Al Rantawi, os programas militares e nuclear iranianos vão ser os mais afetados.

"O programa nuclear do Irã deve se tornar mais vulnerável à pressão internacional", afirma ele.

Golfo
Os analistas divergem quanto às possíveis conseqüências políticas da queda do preço do petróleo nos outros países produtores.

"Os países do Golfo não vão ser afetados. Eles possuem mais de US$ 1 trilhão em reservas e seu problema é como gastar esse dinheiro", diz Said.

Já Al Rantawi acredita que esses países podem ver um aumento da instabilidade interna se a crise se prolongar.

"Existem muitos motivos para a instabilidade na Arábia Saudita e estes focos de problema são mantidos sob controle pelo poderio econômico", disse ele.

"Os países do Golfo perderam praticamente metade de suas receitas nas últimas semanas e, se o preço do petróleo continuar caindo, será um sério teste para sua estabilidade interna", afirma Rantawi.

Opep
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúne nesta sexta-feira em Viena para discutir o corte na produção de petróleo como medida para evitar que o preço do produto continue a cair.

A crise financeira internacional vem sendo responsabilizada pela queda das últimas semanas no preço do combustível, que estava sendo negociado a US$ 65,48 o barril em Londres na quinta-feira, uma redução de mais de 50% em relação a julho de 2007.

Em 2007, o produto alcançou a maior alta de todos os tempos, sendo comercializado a US$ 147,5.

Espera-se que países como o Irã e a Venezuela pressionem por um corte de 2 milhões de barris por dia, enquanto que os países do Golfo, liderados pela Arábia Saudita, devem defender uma redução menor.

No entanto, a possibilidade de cortes foi criticada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que classificou qualquer eventual redução como "escandalosa".

Os cortes
Apesar de sinalizarem com um corte na produção, os países da Opep têm um histórico de produzir mais petróleo do que o estipulado por suas próprias metas.

Analistas calculam que atualmente sejam produzidos mais de 200 mil barris por dia além das metas oficiais da Opep.

O presidente da Opep, Chakib Khelil, disse que, embora o corte deva ser discutido, existe a preocupação de não se adotar qualquer atitude que possa agravar a crise econômica global.

Um possível cenário é que os países decidam por uma redução agora e outra em dezembro, se existir a necessidade, quando se reunirem na Argélia.

"O preço deve se estabilizar entre US$ 75 e 100, o que é muito bom para os países do Golfo por causa do baixo custo da produção e seus relativamente modestos gastos internos", afirma o analista egípcio Abdel Said.

A Opep responde por cerca de 40% do petróleo mundial, produzindo diariamente quase 29 milhões de barris.

A organização inclui Argélia, Angola, Equador, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Venezuela.

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