Irã descarta suspender programa nuclear, apesar de incentivos

Por Edmund Blair TEERÃ (Reuters) - O Irã disse na segunda-feira que não vai suspender o seu programa de enriquecimento de urânio em troca de novos incentivos oferecidos pela comunidade internacional.

Reuters |

Seis potências internacionais decidiram na sexta-feira oferecer um novo pacote de benefícios em troca da suspensão das atividades nucleares. O Ocidente suspeita que o Irã pretenda desenvolver armas atômicas, o que Teerã nega, alegando que seu interesse é apenas gerar energia de modo a exportar o seu excedente de petróleo.

'Esses incentivos que de alguma forma violam o direito da nação iraniana não serão avaliados pelo Estado islâmico', disse Mohammad Ali Hosseini, porta-voz da chancelaria, a jornalistas.

Um influente diplomata da UE que participa em Genebra de uma conferência sobre reformas no Tratado de Não-Proliferação Nuclear disse que 'aparentemente se trata de uma reação preliminar, que pode não ser particularmente séria'.

Em 2006, seis potências mundiais (EUA, França, Grã-Bretanha, China, Rússia e Alemanha) apresentaram ao Irã um pacote de incentivos que também foi rejeitado.

'Acreditamos que o caminho adotado no passado (com ofertas das potências) não deva ser mantido. Eles devem agir com base nas realidades e regulamentos internacionais. As negociações devem ser realizadas com base no respeito aos direitos das nações', disse Hosseini.

O Irã disse não ter recebido os termos do novo pacote, e a Grã-Bretanha afirmou que os detalhes serão informados apenas ao governo iraniano. Mas diplomatas europeus dizem que está mantida a oferta, já feita em 2006, de ajudar o Irã a desenvolver a energia nuclear para fins civis, além de benefícios comerciais em diversas áreas.

Participando da reunião em Genebra, o representante norte-americano Christopher Ford disse que a oferta é 'a melhor chance (do Irã) para uma prosperidade futura [...], ao em vez do caminho do isolamento'.

Ele desdenhou do suposto caráter pacífico do programa iraniano, argumentando que o país tem reservas de urânio 'apenas para um punhado de armas nucleares', mas não para uma rede de usinas nucleares, para as quais teria de importar combustível.

No domingo, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o Irã não vai abandonar seus direitos, apesar da pressão ocidental.

'Ameaçar a nação iraniana não a fará recuar', disse ele, sem mencionar especificamente as atividades nucleares.

Os Estados Unidos dizem preferir a diplomacia para resolver o impasse, mas não descartam uma ação militar.

Mas, em entrevista a uma TV israelense, o almirante Michael Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto norte-americano, disse que seria muito complicado atacar o Irã.

'Seria um desafio muito significativo para os Estados Unidos neste momento entrar num terceiro conflito naquela parte do mundo (onde também ficam Iraque e Afeganistão)', admitiu Mullen,

Israel, alvo de comentários agressivos do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defende que a comunidade internacional assuma posições duras contra Teerã.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb, em Teerã, Dan Williams, em Jerusalém, e Mark Heinrich, em Genebra)

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