Irã descarta suspender enriquecimento de urânio

Teerã, 14 jun (EFE) - O Irã voltou hoje a dizer que não suspenderá seu programa de enriquecimento de urânio, no mesmo dia em que o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, chegou a Teerã para tentar mais uma vez convencer o Governo iraniano a desistir da idéia. De Paris, o presidente americano, George W. Bush - que está dedicando grande parte de sua viagem européia à obtenção de apoios diante da crise com o Irã -, disse estar decepcionado com a rejeição iraniana, e advertiu de que Teerã não deve se esquecer de que todas as opções estão sobre a mesa.

EFE |

Solana chegou sexta-feira à noite a Teerã com um novo pacote de incentivos ao Irã apresentado em nome da UE e dos negociadores ocidentais - os cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) mais a Alemanha).

Esta proposta foi definida por ele como "uma oferta ampla e generosa que pretende resolver os problemas que o programa nuclear iraniano causa", pois, acima de tudo, deseja conseguir "garantias objetivas" para a natureza pacífica do mesmo.

Antes de começar suas reuniões em Teerã, o porta-voz do Governo iraniano, Gholamhossien Elham, jogou um balde de água fria, esta manhã, nas expectativas criadas pela missão de Solana.

Em sua entrevista coletiva semanal, Elham disse que no pacote de propostas da UE e das seis grandes potências não aparece a questão da suspensão, mas garantiu que, caso ela aparecesse, nem sequer seria considerada.

"A postura da República Islâmica é muito clara", afirmou, e reiterou que não haverá nada a ser discutido caso a suspensão de enriquecimento de urânio - que era justamente o ponto de partida da proposta internacional - apareça como condição.

Como é comum no Irã - onde membros do Governo dividem os papéis de inflexíveis e conciliadores -, pouco depois o ministro de Exteriores, Manouchehr Mottaki, se mostrou um pouco menos agressivo que o porta-voz ao prometer a Solana que seu país estudaria a oferta apresentada pela UE, segundo a agência oficial iraniana "Irna".

Mas, de Paris, George W.Bush e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disseram estar decepcionados com a atitude iraniana, pois, com ela, o problema volta ao ponto de partida.

"Estou decepcionado com os líderes por terem rejeitado esta generosa oferta", afirmou Bush, que acrescentou que a recusa de Teerã "representa uma indicação ao povo iraniano de que seus líderes estão dispostos a isolar todos ainda mais".

O presidente francês afirmou que o povo iraniano "merece algo melhor do que o ponto morto a que alguns de seus líderes estão levando o país".

Disse também que o programa nuclear iraniano é "um grande problema".

"Se o Irã conseguir uma bomba nuclear, será totalmente inaceitável", completou Sarkozy, em referência às supostas ambições militares do programa nuclear, que sempre foram negadas pelo governo iraniano.

Bush é a favor de impor sanções mais duras ao Irã se o país continuar com suas atividades nucleares, especialmente o enriquecimento de urânio, e dedica boa parte da viagem que faz pela Europa para tentar convencer os aliados do continente a apoiarem suas idéias.

Em uma alusão à possibilidade de ataque militar, o presidente americano reiterou que "todas as opções estão sobre a mesa".

Até o momento, as sanções existentes apresentadas em três resoluções da ONU não conseguiram persuadir o regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. EFE msh/fh/db

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