Teerã, 7 abr (EFE).- O Irã voltou a afirmar hoje que não aceita nenhuma proposta que inclua a suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio, considerado ilegal pela comunidade internacional.

Esta postura foi expressada pelo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Mohamad Ali Hosseini, em aparente alusão ao anúncio de incentivos econômicos do Ocidente para que o Irã abandone o enriquecimento de urânio.

"Teerã rejeita qualquer pacote, projeto, idéia ou incentivo que peça a suspensão da atividade nuclear do Irã ou limite de alguma forma os direitos do povo iraniano", declarou o porta-voz aos jornalistas em Teerã.

Hosseini afirmou que o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, França, Reino Unido, China e Rússia), além da Alemanha, ofereceram ao Irã uma proposta que "inclui novos incentivos".

"Entretanto, os europeus ofereceram outro pacote (com incentivos) no passado, que Teerã respondeu, e a outra parte (a União Européia) enviou o caso nuclear iraniano ao Conselho de Segurança", declarou o porta-voz.

O Irã reiterou em várias oportunidades que deseja que a questão seja tratada apenas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e não pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que adotou três resoluções contra Teerã nos últimos dois anos.

Hosseini declarou que na próxima terça, batizada por Teerã como o Dia da Energia Atômica, as autoridades iranianas anunciarão uma "nova notícia" sobre as centrífugas no Irã.

A República Islâmica já anunciou a instalação de mais de três mil centrífugas para o enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país, e que tentará chegar a 50 mil.

Em fevereiro, Teerã também confirmou que colocou em funcionamento uma nova linha de centrífugas em Natanz e afirmou que "todas as atividades nucleares iranianas se desenvolvem de acordo com o TNP (Tratado de Não-Proliferação) e sob a supervisão da AIEA".

Segundo Hosseini, seu país não recebeu nenhum pedido do chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, para o reinício das conversas. Ele afirmou que o "Irã está disposto a negociar com a UE sobre outras diferentes questões" desde que não seja sobre o caso atômico. EFE msh/rr/fal

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