Irã dá sinais de resistência a proposta nuclear de agência da ONU

A televisão estatal iraniana deu sinais nesta sexta-feira de que o Irã pode não aceitar a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para resolver o impasse gerado pelo programa nuclear do país. De acordo com a emissora, o Irã prefere comprar urânio para seu reator de pesquisa do que enviar o seu estoque de combustível nuclear para ser enriquecido no exterior, como prevê a proposta da agência da ONU.

BBC Brasil |

"O Irã está interessado em comprar combustível para o reator de pesquisa de Teerã seguindo o esquema de uma proposta clara", afirmou a televisão estatal.

"Estamos esperando uma resposta construtiva e confiável da outra parte", acrescentou a emissora, citando um integrante da equipe de negociação iraniana.

Prazo
O prazo estabelecido pela AIEA para que o Irã e outros três países aceitem a proposta sobre o programa nuclear iraniano termina nesta sexta-feira.

De acordo com o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, o enviado iraniano à reunião para discutir o assunto em Viena, na Áustria, deu a entender na última quarta-feira que estava satisfeito com a proposta.

Mas nenhuma autoridade iraniana se comprometeu publicamente com o trecho mais importante da proposta, que trata do envio do urânio para outros países. A AIEA propõe o Irã envie seu urânio para a agência, que o repassaria à Rússia para enriquecimento.

O urânio enriquecido seria, então, devolvido à AEIA e enviado à França para que elementos necessários para utilização em usinas iranianas fossem adicionados.

Esse processo daria ao Irã acesso a urânio enriquecido suficiente para uso pacífico, mas seria insuficiente para a produção de armas nucleares.

Sem sinais positivos
O Irã garante que seu programa tem apenas fins pacíficos e que o país precisa do combustível nuclear para a sua matriz energética. Países ocidentais suspeitam, no entanto, que o Irã planeja produzir armas nucleares.

Rússia, Estados Unidos e França, os outros países envolvidos na proposta, já se comprometeram com sua parte no acordo. O governo francês, no entanto, afirmou nesta sexta-feira que o Irã não está respondendo de forma positiva à proposta de acordo.

"Não posso dizer que a situação, em relação ao Irã, é muito positiva", disse o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, durante visita ao Líbano.

"Agora estão ocorrendo reuniões em Viena (sede da AIEA)", acrescentou. "Mas, por meio dos indicadores que estamos recebendo, as reações não são muito positivas."
Analistas avaliam que a rejeição do acordo por parte do Irã seria uma decepção para Estados Unidos, Rússia e França e poderia dificultar ainda mais as negociações mais amplas com o país, além de aumentar as chances de aplicação de sanções ao Irã.

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