Nações Unidas, 24 set (EFE).- O Irã criticou hoje o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, por acusar Teerã no Conselho de Segurança da ONU de desenvolver armas nucleares.

A embaixada do Irã perante a ONU qualificou essas acusações de "completamente falsas", e ressaltou, através de um comunicado à imprensa, que seu programa nuclear "é e sempre foi para propósitos pacíficos, por isso não representa nenhuma ameaça".

Ressaltou que a reunião presidida hoje pelos EUA no principal órgão das Nações Unidas sobre desarmamento nuclear evidencia a obrigação de seus membros permanentes, como França e Reino Unido, de cumprir seus compromissos neste campo.

Sarkozy e Brown acusaram o Irã, em seus discursos na reunião do Conselho de Segurança, de realizar um programa destinado à fabricação de armas nucleares, em desafio a suas obrigações internacionais.

O líder francês inclusive pediu a imposição de "sanções mais fortes" a Teerã, para que aceite as ofertas de abrir seu programa nuclear à apuração da comunidade internacional.

"As acusações do presidente francês são uma absurda tentativa de mascarar o péssimo histórico de descumprimentos das obrigações da França em matéria de desarmamento", respondeu a delegação iraniana, no comunicado.

Além disso, pediu a Paris para cumprir totalmente o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), em vez de "tecer uma rede para espalhar o medo, disseminar falsidades e ofuscar a realidade".

O Irã também acusou Londres de ignorar "com cinismo" as obrigações sob o TNP de "adotar passos para eliminar totalmente seu injustificável arsenal nuclear".

"Queremos deixar clara uma questão: no exercício de seu legítimo direito de desenvolver tecnologia relacionada à energia nuclear, o Irã sempre manteve a necessidade de utilizar a energia nuclear como uma fonte energética alternativa para atender a seu crescimento demográfico e econômico", acrescentou.

A delegação diplomática reafirmou o compromisso de Teerã com a não-proliferação e sua disposição em iniciar "negociações construtivas com as partes interessadas" para desenvolver "relações de cooperação". EFE jju/an

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