Por Fredrik Dahl e Zahra Hosseinian TEERÃ (Reuters) - O Irã informou na quinta-feira que participará de uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o futuro do Afeganistão. A reunião foi proposta pelos Estados Unidos, inimigo antigo de Teerã.

O porta-voz do Ministério do Exterior, Hassan Qashqavi, disse, porém, que o Irã ainda vai decidir quem enviará à reunião internacional que ocorre na próxima terça-feira em Haia. Estão confirmadas as presenças do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e de delegados de mais de 80 países.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Gordon Duguid, saudou a notícia da participação do Irã, após a proposta do presidente Barack Obama para um "novo começo" na diplomacia com a República Islâmica em uma série de questões. Mas ele disse que Hillary não tem planos de realizar um encontro bilateral com autoridades iranianos no fórum.

"Essa conferência é sobre a busca de um consenso regional sobre o Afeganistão. Não é uma conferência sobre as relações EUA-Irã", declarou o porta-voz.

No começo do mês, Clinton disse que o Irã seria convidado à reunião sobre o Afeganistão, que enfrenta um levante de proporções cada vez maiores do Taliban, num reconhecimento da influência do país sobre o vizinho problemático.

O Irã e os EUA não mantêm laços diplomáticos há três décadas e agora divergem sobre a atividade nuclear de Teerã.

Analistas dizem, no entanto, que eles compartilham o interesse de garantir a estabilidade no Afeganistão, onde a violência atingiu o nível mais alto desde a invasão liderada pelos EUA em 2001.

"O Irã participará", disse Qashqavi. "O nível de participação não está claro."

Espera-se que Hillary Clinton forneça detalhes de uma revisão da estratégia norte-americana com relação ao Afeganistão e ao Paquistão, cuja divulgação está planejada para ocorrer antes da conferência na cidade holandesa.

O Irã diz que os EUA estão fracassando no Afeganistão, mas que Teerã está pronta a ajudar o país vizinho.

O ministro das Relações Exteriores Manouchehr Mottaki foi citado dizendo que havia a necessidade de uma solução regional.

No mês passado, Obama ordenou o deslocamento de mais 17 mil soldados norte-americanos ao Afeganistão. O Irã com frequência tem pedido que as forças dos EUA deixem a região, afirmando que elas agravam a situação.

Mas tanto Teerã como Washington se opõem ao Taliban e à rede Al Qaeda, apoiam o presidente afegão, Hamid Karzai, e querem estabilidade, a reconstrução e o fim do tráfico de drogas.

"Acreditamos que deve ser encontrada uma solução regional para a crise no Afeganistão", disse Mottaki à agência de notícias semi-oficial Fars durante visita ao Brasil.

"O objetivo do Irã na região é ajudar a paz, a estabilidade e a calma necessárias para o progresso da região", acrescentou ele.

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