O Irã comemorou nesta quarta-feira a conclusão das obras de sua primeira central nuclear, dando um novo passo em seu polêmico programa nuclear, apesar das sanções da ONU.

"A etapa final de construção da central nuclear acabou", disse à imprensa o responsável da Agência federal russa de Energia Atômica, Serguei Kirienko, após visitar a instalação no Golfo.

A construção da central nuclear estava atrasada desde que a Rússia assumiu a obra em 1995, depois do abandono da empresa alemã Siemens em consequência da Revolução Islâmica de 1979.

O presidente da Organização Iraniana da Energia Atômica, Gholamreza Aghazade, mencionou a necessidade de realizar testes preliminares, mas não falou em datas.

"É possível que possamos realizá-los nos próximos meses. Mas se conseguirmos fazer os testes mais rapidamente, a inauguração da central pode ocorrer antes", disse ao canal estatal.

Kirienko explicou que a central está em fase de pré-inauguração, que consiste na realização de uma série de procedimentos complexos para testar os diferentes sistemas.

O vice-diretor da agência iraniana da energia atômica, Mohammad Saidi, explicou a um canal de televisão que nesta fase os técnicos verificam em particular o circuito primário de energia, os sistemas de socorro e as unidades de apoio para eliminar todo incidente que pudesse ocorrer na inauguração dos trabalhos da central.

Saidi explicou ainda que a Rússia entregou 87 toneladas de combustível para colocar a central em funcionamento.

Na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) destacou em um relatório que Teerã pretende fornecer combustível ao reator de Buchehr no segundo trimestre de 2009.

O combustível, fornecimento pela Rússia, e que deve ser devolvido depois de utilizado, está por enquanto guardado perto da central.

Em 5 de fevereiro, Kirienko afirmou que o início dos trabalhos da central deve ocorrer ainda em 2009.

O lançamento técnico consiste num teste de equipamentos, que antecede a etapa "energética", que em dois ou três meses inicia a produção de energia.

A construção da central foi adiada inúmeras vezes, por tensões em torno do programa nuclear iraniano, acusado pelos ocidentais de ter caráter militar.

Teerã insiste em dizer que seu programa nuclear é puramente civil.

A República Islâmica está submetida a cinco resoluções do Conselho de Segurança da ONU, três delas com sanções, por sua escassa cooperação com a AIEA e sua recusa em suspender o processo de enriquecimento de urânio.

O Irã justifica seu programa de enriquecimento de urânio dizendo que quer alimentar por si mesmo suas futuras centrais.

Mas inúmeros especialistas estrangeiros colocaram questionam as capacidades de Teerã, e indicam que seus recursos de urânio são insuficientes.

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