Irã comemora aniversário de cerco a embaixada norte-americana

Por Hossein Jaseb TEERÃ (Reuters) - Os iranianos comemoraram nesta segunda-feira o aniversário do cerco à embaixada dos Estados Unidos em 1979. Um dia antes da eleição presidencial norte-americana, os manifestantes se mostraram indiferentes em relação aos candidatos -- poucos acreditam que o eleito possa ajudar a melhorar as relações entre Washington e Teerã.

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O Irã tem sido foco de um debate sobre política internacional na campanha presidencial norte-americana. Ambos os candidatos -- o republicano John McCain e o democrata Barack Obama-- dizem que vão aplicar sanções mais severas. Porém, Obama diz estar pronto para um diálogo com autoridades iranianas.

O jornal iraniano Kayhan Internacional, escrito em inglês, disse que não importa o vencedor da corrida presidencial dos Estados Unidos.

"Esperamos que um deles (dos candidatos) esteja na Presidência quando chegar o fim do sistema tirânico dos Estados Unidos, cujo antro de espionagem foi cercado neste dia, em 1979, pelos estudantes da universidade de Teerã, em um movimento que abafou as tentativas de golpe da Casa Branca contra a então recém-fundada República Islâmica", dizia a primeira página do jornal.

Os Estados Unidos cortaram relações com o Irã em 1980. Atualmente, consideram abrir uma seção de interesses norte-americanos em Terrã, o que significa que diplomatas seriam enviados à capital iraniana. Washington diz que isso demonstra que eles são contra o governo do Irã, não seu povo.

Mas, em meio ao coro de "morte à América" do lado de fora da antiga embaixada, havia quem esperasse que o novo presidente dos Estados Unidos pudesse trazer mudanças.

"Há uma boa possibilidade de haver uma mudança nas perspectivas do Irã, com o novo presidente. Estou muito otimista, principalmente se Obama for eleito", disse à Reuters Ahmad Abdullahi, professor de 34 anos.

No dia 4 de novembro de 1979, o prédio da embaixada norte-americana foi cercado por estudantes. Por 444 dias, 52 norte-americanos foram mantidos reféns. A data no calendário iraniano foi o 13o dia de Aban, que neste ano caiu em 3 de novembro.

"Na minha opinião, McCain será presidente. Qualquer pessoa que não seja George Bush será mais lógico na Presidência", disse Ramin Kermani, estudante de química de 22 anos.

Bush disse, em 2002, que o Irã faz parte de um "eixo do mal", o que irritou os iranianos principalmente depois de terem ajudado na ofensiva norte-americana para derrubar o governo Taliban no Afeganistão, em 2001.

Analistas iranianos dizem que, por baixo do pano, Teerã prefere Obama, mas não conta com uma grande mudança na política dos Estados Unidos.

(Reportagem de Hashem Kalantari)

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