Irã cita hipocrisia e rejeita inspeções nucleares mais invasivas

Por Mark Heinrich GENEBRA (Reuters) - O Irã descartou na segunda-feira a possibilidade de aceitar uma ação mais intrusiva de inspetores do setor nuclear caso não chegue ao fim a máxima de dois pesos e duas medidas nos esforços mundiais de combate à proliferação de armas, algo que, segundo o governo iraniano, beneficia potências atômicas como Israel.

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Entrando em choque com países ocidentais em um encontro no qual foram debatidas propostas para melhorar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT), o Irã rejeitou as acusações de que tentaria secretamente desenvolver armas atômicas e responsabilizou as potências nucleares mundiais pelos problemas surgidos no acordo.

Os EUA afirmaram, por exemplo, que o 'caminho de fraude, violação das leis e confrontação' adotado pelo Irã ao desenvolver às escondidas um programa de enriquecimento de urânio e ao levar outros países a aprovarem sanções e oferecerem incentivos para que parasse com aquelas atividades representava a maior ameaça ao NPT.

A troca de acusações duras reflete o embate político entre os detentores atuais de armas nucleares e os não-detentores, embate esse responsável por frustrar até agora os esforços para aprimorar o tratado de quatro décadas, que deve ser revisto em 2010 após a realização de encontros preparatórios neste e no próximo ano.

Horas antes, na segunda-feira, o Irã rejeitou um pacote de novos incentivos oferecido por seis potências mundiais com o intuito de convencer os iranianos a paralisar seu programa de enriquecimento de urânio, capaz de gerar tanto combustível para usinas nucleares quanto material para ogivas nucleares.

No encontro do NPT em Genebra, as grandes potências disseram que os supostamente secretos esforços da Coréia do Norte, do Irã e da Síria para obter bombas atômicas tornam vitais que seja endurecido o combate à transferência de tecnologia atômica considerada sensível.

Os países em desenvolvimento afirmam que isso esvaziaria seu direito a sorver os frutos de programas nucleares pacíficos e tornaria mais fácil para as potências mundiais negarem-se a abrir mão de seus arsenais atômicos.

O Irã perguntou por que os países em desenvolvimento deveriam aceitar a realização de inspeções invasivas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como condição para obter know-how nuclear quando países detentores de armas atômicas tinham o direito de barrar unilateralmente a entrada de inspetores em suas instalações.

Os países industrializados materializaram um 'apartheid nuclear' ao impor controles mais duros para a exportação desse tipo de tecnologia pelos países em desenvolvimento, dentro do NPT, ao mesmo tempo em que, por debaixo dos panos, ajudaram Israel, que não assinou o acordo, a amealhar um arsenal nuclear, afirmou o embaixador iraniano Ali Asghar Soltanieh.

'Essa postura de dois pesos e duas medidas não pode se sustentar e nenhuma medida adicional de fortalecimento das salvaguardas (da AIEA) poderá ser aceita pelos países que não detêm armas nucleares enquanto continuarem em vigor esses graves constrangimentos e discriminações', disse.

Uma outra condição imposta pelo Irã para aceitar a realização de inspeções mais amplas é o fim das sanções impostas ao país devido a um programa que, segundo o governo iraniano, visa apenas à geração de eletricidade.

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