Irã bloqueia inspeção de instalações nucleares sob suspeita

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - O Irã impediu uma investigação das Nações Unidas que busca saber se o país pesquisa secretamente como fabricar uma bomba atômica, enquanto expande seu enriquecimento de urânio em desafio às exigências internacionais, disse um informe de vigilância nuclear nesta segunda-feira.

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O Irã culpou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA na sigla em inglês) pelo impasse. Uma alta autoridade iraniana, que solicitou anonimato, pediu à entidade sediada em Viena que mude seu enfoque e trabalhe de forma 'legal e lógica'.

A Casa Branca conclamou o Irã a parar de enriquecer seu urânio ou encarar a possibilidade de sofrer mais sanções da ONU, que se somariam a medidas punitivas relativamente modestas das quais a república islâmica tem desdenhado.

Um relatório confidencial da AIEA diz que o Irã aumentou o número de centrífugas enriquecedoras de urânio para 3.820, em comparação com as 3.300 de maio, com mais duas mil em instalação.

'Chegamos a um impasse', disse uma importante autoridade que conhece sênior familiarizada com o último relato, que insta o Irã a levar a sério as alegações e dissipar as suspeitas de que seu programa nuclear não é inteiramente pacífico.

O Irã, no entanto, parece estar a alguma distância de refinar urânio suficiente para fabricar uma arma nuclear, indica o relatório.

O Irã tem estocados 480 quilos de urânio pouco enriquecido até agora. O país precisaria de 1.700 quilos de urânio enriquecido (HEU) para convertê-los em combustível para uma bomba atômica, disseram autoridades da ONU sob condição de anonimato.

'Essa seria uma quantidade significativa, uma unidade de HEU, e levaria algo como dois anos', disse uma delas.

No dia em que o relatório veio a público, o Irã anunciou exercícios de defesa aérea em metade das 30 províncias do país.

O comandante da defesa aérea, brigadeiro-general Ahmad Mighani, 'enfatizou que os inimigos receberiam uma resposta séria por qualquer agressão e que os surpreenderíamos e os faríamos se arrepender', relatou a agência Isna em Teerã.

Washington diz querer uma solução diplomática para o impasse nuclear, mas não descartou a ação militar se esta falhar. O Irã, quarto maior exportador mundial de petróleo, diz que seu programa nuclear é um esforço pacífico para gerar energia elétrica.

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