Irã avança lentamente na montagem de centrífugas, diz ElBaradei

Por Erik Kirschbaum BERLIM (Reuters) - Os avanços do Irã em seu programa de enriquecimento de urânio são lentos e o recente acréscimo de centrífugas à cadeia de processamento envolveu apenas modelos antigos, afirmou na quinta-feira Mohamed ElBaradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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ElBaradei disse que o país islâmico instalou entre 3.300 e 3.400 centrífugas do tipo P1, criadas na década de 70, na usina nuclear de Natanz -- até o final do ano passado, esse montante era de 3.000.

O chefe da AIEA (agência ligada à Organização das Nações Unidas, ONU) pediu ao Irã que parasse de acelerar seu programa até que se resolvesse a disputa entre o país e algumas potências mundiais envolvendo suspeitas sobre as verdadeiras intenções dos iranianos.

O país islâmico afirma desejar produzir combustível nuclear com o intuito exclusivo de fabricar eletricidade e, assim, aumentar o volume de petróleo exportado.

O Conselho de Segurança da ONU, porém, baixou três pacotes de sanção contra o governo iraniano acusando-o de esconder suas atividades da AIEA até 2003, de não comprovar que seu programa é totalmente pacífico e de recusar-se a suspender seu programa.

'Basicamente, eles estão montando algumas centrífugas do tipo antigo, as centrífugas do tipo P-1 que já existiam. A taxa de progresso a esse respeito tem sido bem lenta', disse ElBaradei em uma entrevista coletiva realizada em Berlim.

'Acho que eles possuíam 3.000 centrífugas antes e hoje possuem 3.300 ou 3.400. De forma que não estão avançando com muita rapidez', disse.

'Eu continuou a pedir ao Irã que não acelere o processo porque precisamos antes ter um acordo. O acordo deve anteceder os avanços dos iranianos em seu programa de enriquecimento de urânio', afirmou.

O país islâmico disse na semana passada que havia instalado outras quase 500 centrífugas em Natanz em meio a um plano de colocar 6.000 delas em funcionamento.

E o governo iraniano afirmou ainda estar testando um tipo mais avançado de centrífuga. Segundo analistas, trata-se de um aparelho que poderia refinar o urânio a uma velocidade duas a três vezes maior do que as temperamentais P-1.

O Irã ainda não provou que consegue colocar em funcionamento, de forma coordenada, milhares de centrífugas girando em alta velocidade, por longos períodos de tempo, algo fundamental para enriquecer quantidades significativas de urânio e obter combustível a ser usado em usinas nucleares.

Esse material também pode servir para fabricar bombas atômicas caso o nível de enriquecimento seja maior.

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