IRA Autêntico assume autoria de ataque a base militar na Irlanda do Norte

(acrescenta a autoria do ataque e detalhes sobre as vítimas) Belfast (R.Unido), 8 mar (EFE).

EFE |

- O IRA Autêntico, uma dissidência do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), assumiu hoje a autoria do atentado cometido neste sábado contra uma base militar na Irlanda do Norte, que deixou dois soldados britânicos mortos e feriu outras quatro pessoas.

O jornal irlandês "Sunday Tribune", com sede em Dublin, disse ter recebido uma ligação anônima feita em nome do IRA Autêntico na qual o grupo assumia a responsabilidade pelo ato.

A publicação dá credibilidade à ligação porque o comunicante, que não pediu desculpas pelo ataque, usou uma palavra-chave correspondente à organização.

O Ira Autêntico, que era investigado pelo crime pela Polícia da Irlanda do Norte (PSNI), é um grupo dissidente do IRA que se opõe ao processo de paz na ilha e à estratégia democrática do braço político do Exército Republicano Irlandês, o Sinn Féin, de Gerry Adams.

O grupo foi o autor do atentado de 15 de agosto de 1998 em Omagh, que deixou 29 mortos e mais de 300 feridos.

A PSNI implementou hoje um "amplíssimo" esquema de segurança para deter os pistoleiros que atacaram no sábado a base do Exército britânico de Massereene, cerca de 25 quilômetros ao norte de Belfast.

Este foi o primeiro assassinato de membros das Forças Armadas do Reino Unido no local desde 1997, quando o soldado Stephen Restorick foi morto a tiros por um franco-atirador do Exército Republicano Irlandês, que ainda atuava na época.

Nos próximos dias, o chefe da Polícia irlandesa (Garda), Fachtna Murphy, e altos funcionários dos Governos britânico e irlandês se reunirão com o principal responsável da PSNI, Hugh Orde, para trocar informação e cooperar na investigação.

Na sexta-feira, Orde já tinha advertido de que o risco de ataques de paramilitares dissidentes estava em seu maior nível em sete anos, e, por isso, pediu a intervenção do serviço secreto (MI5) e das Forças Armadas britânicas.

No entanto, segundo o superintendente da PSNI responsável pela investigação, Derek Williamson, o que surpreendeu foi a "dureza e o caráter impiedoso" do atentado, cujo objetivo, afirmou, era causar "um massacre".

Além dos dois soldados falecidos, outros dois militares e dois entregadores de pizza - um deles um polonês de 32 anos - ficaram feridos no tiroteio.

Williamson informou que os pistoleiros começaram a atirar indiscriminadamente com armas automáticas a partir de um veículo - no qual fugiram - quando as portas da base se abriram para deixar os dois entregadores de pizza entrar, por volta de 18h40 (de Brasília) deste sábado.

"Os pistoleiros atiraram, a princípio, à vontade, mas se aproximaram depois das pessoas que estavam no chão e atiraram nelas", acrescentou o responsável da PSNI pela investigação.

O entregador polonês se encontra em estado gravíssimo, enquanto outras duas pessoas tiveram ferimentos considerados graves e outra se mantém estável dentro do estado grave, informaram hoje fontes oficiais.

O atentado gerou uma onda de rejeição em toda a ilha, assim como no Reino Unido, onde o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ressaltou que "nenhum assassino poderá tirar dos trilhos um processo de paz que conta com o apoio do povo da Irlanda do Norte".

Essa foi a mensagem lançada também pelo Governo de Dublin, passando por todos os partidos políticos da região, incluindo o Sinn Féin, que afirmam que a ação não afetará o processo de paz e o funcionamento do Executivo, de poder compartilhado entre católicos e protestantes.

Embora o risco de que ocorram outros ataques seja alto e, para os dissidentes, esta ação contra as forças de segurança seja um grande golpe de propaganda, essas facções, na realidade, não contam com o apoio da população ou com uma estratégia política clara, além do objetivo histórico de unificar a ilha da Irlanda.

O dirigente do Sinn Féin, Gerry Adams, se expressou nesse sentido hoje, após qualificar de "equivocada e contraproducente" a tática desses grupos.

Ele pediu à comunidade republicana da província para "manter a calma" neste momento, um apelo que serve igualmente para as forças de segurança e às autoridades competentes.

Para Adams, a intenção dos dissidentes é que "os soldados britânicos voltem às ruas", além de "destruir os progressos dos últimos anos para afundar a Irlanda em um novo conflito".

As palavras do político ganharam hoje relevância especial, já que o Sinn Féin criticou duramente o fato de o PSNI ter solicitado esta semana a intervenção do MI5 e das Forças Armadas britânicas para ajudar a combater a crescente ameaça de facções dissidentes do IRA.

Em agosto de 2007, como parte do processo de paz, o Exército britânico encerrou suas operações na província, aonde chegou em 1969 para apoiar a Polícia a combater o aumento da violência gerado pelos confrontos entre católicos e protestantes, uma situação que durou mais de 30 anos. EFE ja/db

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