Irã assinala que não vai ceder na questão nuclear

Por Hossein Jaseb e Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O Irã afirmou no sábado, um dia depois de os Estados Unidos anunciarem que aceitarão a oferta feita por Teerã de conversações abrangentes com seis potências mundiais, que não vai ceder em sua disputa nuclear com o Ocidente.

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"Não podemos ceder com relação ao direito inalienável da nação iraniana", disse o chanceler Manouchehr Mottaki em coletiva de imprensa, usando linguagem que as autoridades iranianas normalmente reservam para fazer referência ao programa nuclear.

Na quarta-feira, o Irã entregou às grandes potências, incluindo os EUA, uma proposta em cinco páginas na qual disse estar disposto a discutir o desarmamento nuclear global e outros problemas internacionais.

Washington disse que a proposta "não responde realmente" a suas preocupações relativas aos trabalhos nucleares do Irã, que o Ocidente desconfia que tenham o objetivo de produzir bombas. O Irã afirma que o objetivo é gerar eletricidade.

Mas, apesar da recusa declarada do Irã em discutir a questão nuclear, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os EUA vão focar o programa nuclear iraniano nas conversações que serão realizadas.

"Pode não ser o tópico que o Irã queria que fosse tratado, mas posso garantir que ele será tratado", disse Gibbs.

Em Bruxelas, o chefe de política externa da União Europeia, Javier Solana, disse que quer uma reunião urgente com o negociador nuclear chefe do Irã, Saeed Jalili.

Em coletiva de imprensa concedida em conjunto com seu colega turco Ahmet Davutoglu, em visita ao Irã, o chanceler Mottaki disse que o pacote de propostas oferecido pelo Irã mostra a "determinação firme" do país de tratar de questões diferentes e que isso pode abrir o caminho para negociações.

As grandes potências, que incluem a Grã-Bretanha, China, França, Rússia e EUA, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e também a Alemanha, ofereceram ao Irã em 2006 incentivos comerciais e diplomáticos em troca da suspensão do enriquecimento de urânio.

Elas incrementaram a oferta no ano passado, mas mantiveram a exigência de que o Irã suspendesse o enriquecimento de urânio, algo que a República Islâmica excluiu como condição prévia para conversações.

O ministro da Defesa iraniano Ahmad Vahidi disse que desde o início os EUA fizeram uma "avaliação incorreta" do programa nuclear iraniano, baseada em "informações fraudulentas."

"Vemos a produção e proliferação de armas de destruição em massa como sendo contrária aos princípios humanos, religiosos e nacionais," ele teria dito, segundo a agência de notícias ILNA.

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