Irã anuncia teste de cinco novos mísseis

Em meio a suspeitas sobre programa nuclear do país, braço militar do regime realiza desde quinta-feira manobras militares no Golfo

EFE |

AP
Guarda Revolucionária simula ataque e tomada de controle de navio durante manobras militares
A Guarda Revolucionária, braço militar do governo iraniano, anunciou neste domingo ter lançado cinco novos mísseis terra-mar e terra-terra como parte das manobras militares que realiza desde quinta-feira nas águas do Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, anunciou a televisão oficial.

Sem fornecer detalhes, os militares se limitaram a ressaltar que os projéteis foram lançados "com sucesso" e de forma simultânea. O almirante do corpo de elite das Forças Armadas iranianas, Morteza Saffari, explicou no sábado que os mísseis eram uma "versão melhorada" da chamada classe "Nasser".

De acordo com ele, trata-se de um míssil de cruzeiro de curto alcance capaz de ser lançado a partir de bases em terra e também de embarcação bélica. "Especialistas em defesa (iranianos) melhoraram o poderio e o grau de alcance desses mísseis, e seremos testemunhas de sua efetividade durante a próxima fase das manobras", ressaltou Saffari, citado pela agência de notícias local "Fars".

Forças navais, terrestres e aéreas da Guarda Revolucionária iniciaram na quinta-feira uma série de manobras militares no Estreito de Ormuz, uma das principais vias de passagem de petróleo e gás do mundo.

De acordo com o general Hussein Salami, o objetivo dos exercícios é demonstrar a influência regional do país na área em que transita por ano um quinto do comércio mundial de energias fósseis.

Essas são as quartas manobras militares realizadas pela Guarda Revolucionária nos últimos nove meses em meio à escalada de tensão entre a comunidade internacional e o Irã por causa de seu controvertido programa de energia nuclear.

Os Estados Unidos e as principais potências da União Europeia, além de outros países, acusam o regime dos aiatolás de esconder, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e ambições bélicas, com objetivo de adquirir um arsenal atômico, alegações que Teerã nega.

Aviões de espionagem

No mesmo dia dos testos, o Exército iraniano anunciou a decisão de fabricar aviões espiões teleguiados (UAV, na sigla em inglês). Segundo o comandante das Forças do Ar da Guarda Revolucionária, Amir Ali Hajizadeh, a decisão foi tomada após provar com sucesso um protótipo de fabricação nacional batizado "Pahapad" durante as man

AP
Míssil terra-mar é lançado a leste do Estreito de Ormuz
obras no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

"Além de voos de reconhecimento sobre o campo de batalha, esses aviões podem entrar em combate e ser muito úteis na hora de transferir informação em tempo real", afirmou. Hajizadeh, citado pela "Fars", explicou que durante os exercícios bélicos a Força Aérea da Guarda Revolucionária interveio em operações de apoio e de logística.

Há vários meses, o governo americana tenta alcançar uma nova rodada de sanções internacionais para tratar de frear o controvertido programa nuclear iraniano, mas até o momento esbarrou na resistência de países como a China.

Apesar de estar submetido a um embargo armamentístico desde a década de 1980, o Irã desenvolveu um programa bélico que lhe permitiu modernizar seu Exército e dotá-lo de armas como mísseis de médio alcance.

Os analistas advertem, no entanto, que é muito difícil saber o grau de precisão e desenvolvimento do arsenal que o Irã diz ter criado com sua indústria nacional.

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