Irã anuncia suspensão de apedrejamento de iraniana

Essa é a segunda vez que Irã revoga essa pena contra Sakineh Ashtiani; mídia iraniana sugere que ela será executada na forca

iG São Paulo |

Autoridades do Irã anunciaram nesta quarta-feira que suspenderam e puseram sob revisão a sentença de morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani , de 42 anos e dois filhos, condenada por suposto adultério, informou o Ministério de Relações Exteriores, após semanas de condenação internacional. Presa desde 2005, Sakineh foi sentenciada ao apedrejamento em 2006.

"O veredicto em relação às questões extramaritais foram suspensas e estão sendo revistas", disse o ministro Ramin Mehmanparast à rede de TV em língua inglesa Press TV. Na semana passada, Sakineh, que já foi submetida a 99 chibatadas, teria sido condenada à repetição dessa pena .

Em uma entrevista ao vivo por telefone, Mehmanparast, porém, disse que a acusação de assassinato estava "sendo investigada para que o veredicto final fosse anunciado", em referência à ampliação de sua acusação no início de agosto para "conspiração para assassinar o marido". Se essa acusação for mantida, Sakineh pode ser executada na forca .

Na terça-feira, Mehmanparast afirmou: "Sakineh Mohammadi cometeu dois delitos, um é colaborar no assassinato de seu marido e outro tê-lo traído ao manter relações extramatrimoniais com outros homens."

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, classificou como positiva a decisão do governo iraniano de suspender a sentença. O Brasil havia oferecido asilo a Sakineh, proposta que foi rejeitada por Teerã.

Essa é a segunda vez que o Irã aparenta recuar em sua decisão de apedrejar Sakineh. Após forte pressão internacional, a Justiça do país anunciou em julho que ela não seria morta por apedrejamento e havia posto a sentença sob revisão.

A mídia iraniana sugeriu que a sentença de apedrejamento - imposta para certos crimes sob a lei da sharia, que o Irã adotou após a Revolução Islâmica (1979) - não seria levada adiante, mas que ela ainda pode ser executada na forca.

Em nenhum momento da entrevista, concedida em farsi mas traduzida simultaneamente para o inglês, o ministro mencionou a palavra "apedrejamento", apenas referindo-se à "sentença de morte" de Sakineh.

Mehmanparast culpou os EUA por incitar o furor contra a imagem internacional do Irã, enquanto o país enfrenta sanções por seu programa nuclear. "Parece que eles fazem um jogo político", disse.

De acordo com a Anistia Internacional, o Irã só perde para a China no número de pessoas que executa. Em 2008, pelo menos 346 foram executadas. Assassinato, adultério, estupro, roubo com mão armada, apostasia e tráfico de drogas são todos puníveis pela morte no Irã.

Execução após o Ramadã

No fim de semana, um dos filhos de Sakineh afirmou temer que sua mãe seja executada após o fim do Ramadã, o mês sagrado de jejum dos muçulmanos, que termina em 10 de setembro.

"O mês do Ramadã está por terminar e, segundo a lei islâmica, as execuções podem ser retomadas", afirmou Sajjad Mohammadi Ashtiani, de 22 anos, que disse estar sem notícias da mãe desde uma suposta confissão exibida pela televisão iraniana em 11 de agosto. "As visitas semanais estão proibidas", afirmou o filho mais velho de Sakineh, que tem uma irmã mais nova.

Na semana passada, Sajjad pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que ofereceu publicamente asilo a Sakineh Ashtiani - que continue insistindo perante o governo do Irã para salvar sua mãe.

*Com Reuters, EFE e AFP

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