Irã anuncia criação de novo reator de pesquisa nuclear

País tem atualmente em Teerã um reator de pesquisa nuclear construído antes da revolução islâmica de 1979

iG São Paulo |

O Irã construirá em breve um novo reator de pesquisa nuclear médica mais potente do que o que atualmente existe em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.

"Estamos preparando a construção de um reator mais potente do que o de Teerã para produzir radioisótopos e este reator começará a funcionar em breve", declarou Salehi, citado pelo site da televisão estatal.

O chefe da Organização da Energia Atômica iraniano não especificou em que estado será implantado o projeto, nem informou a potência do novo reator.

O Irã dispõe atualmente em Teerã de um reator de pesquisa nuclear de 5 megavatts construídos antes da revolução islâmica de 1979.

Sanções da ONU e da União Europeia

Depois de a ONU aprovar na semana passada uma quarta rodada de sanções ao Irã, a UE deve adotar na quinta-feira punições ainda mais duras, inclusive contra o setor energético do país. O Irã qualificou na terça-feira de "ilógica e errada" a intenção da União Europeia de endurecer suas sanções à República Islâmica por causa das suas atividades nucleares.

O Irã diz que seu programa de desenvolvimento nuclear tem o objetivo de produzir energia para uso civil, mas autoridades americanas e europeias revelaram atividades que não parecem relacionadas à simples produção de eletricidade, afirmando que Teerã não cumpriu com obrigações do Tratado de Não-Proliferação Nuclear para permitir inspeções a todas suas instalações nucleares.

As sanções da UE devem afetar também os setores bancário, de seguros e de transportes, entre outros. O Congresso dos EUA também está discutindo novas sanções unilaterais contra o Irã.

O Irã detém 11 por cento das reservas mundiais conhecidas de petróleo, além da segunda maior reserva mundial. Sanções impostas ao país desde a Revolução Islâmica de 1979 já limitaram o desenvolvimento do seu setor energético, principalmente a sua capacidade de refino.

Teerã diz precisar de cerca de 25 bilhões de dólares por ano em investimentos no setor energético, e a falta de fundos pode transformar o país em importador de combustível.

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