Irã alerta EUA e Israel sobre consequências de um eventual ataque

Autoridades do país afirmam que forças iranianas estão preparadas para causar grandes danos; Israel faz manobras militares

EFE |

O Irã advertiu os EUA e Israel que um eventual ataque contra instalações nucleares do país teria graves consequências, afirmando que as forças iranianas estão preparadas para causar grandes danos.

Em declarações publicadas nesta quinta-feira pela imprensa local, o chefe da Junta de Estado-Maior iraniana, general Hassan Firuzabadi, descartou um possível ataque americano ou israelense contra o Irã, dizendo que os "EUA e o regime sionista sabem que, se o fizerem, sofrerão perdas enormes".

Firuzabadi ressaltou que as Forças Armadas iranianas estão prontas para castigar quem cometer um movimento em falso, em resposta a informações divulgadas na imprensa internacional sobre Israel e os EUA estudarem um possível ataque contra o Irã .

O alto comando militar também afirmou que uma campanha militar de países ocidentais contra o regime sírio de Bashar al-Assad, o principal aliado árabe do Irã, como a lançada na Líbia para derrubar Muamar Kadafi , "colocaria fim à existência dos EUA e de Israel".

"Todos os muçulmanos do mundo se levantariam contra eles e não ficaria nada dos EUA nem da entidade sionista", disse Firuzabadi sobre um ataque militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Síria. Para ele, os países ocidentais só falam de planos sobre o uso da força para "debilitar a posição do governo sírio, mas não seriam capazes de aplicá-los".

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Na mesma linha, o subchefe de Estado-Maior das Forças Armadas do Irã para a Logística e Investigação Industrial, general Mohammad Hejazi, disse à agência local Fars que "as forças iranianas são mais poderosas que no passado, e os estrangeiros são conscientes de que qualquer aventura ou ação ilegal receberia uma resposta arrasadora".

"A República Islâmica pode se defender bem de seus interesses nacionais, por isso que as ameaças da arrogância mundial (EUA) não são críveis, nem têm valor para nós", acrescentou Jejazi sobre os supostos planos bélicos.

Ele também lembrou as declarações de diversos comandantes militares iranianos feitas nos últimos meses de que as forças do país têm capacidade para alcançar todos os navios e bases militares dos EUA na zona do Golfo Pérsico e no território de Israel .

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A agência local Mehr defendeu nesta quinta-feira a tese de que as ameaças de ataque de americanos e israelenses contra o Irã, mais que o prelúdio de uma ação militar, podem ser uma forma de pressionar outros países e organizações para reforçar as sanções internacionais contra o Irã.

Já a Fars afirma que as Forças Navais iranianas estão "muito motivadas, bem equipadas e financiadas", além disso, elas têm "o controle efetivo do Estreito de Ormuz", por onde passa 40% do petróleo que fornece energia ao mundo.

A emissora PressTV publica nesta quinta-feira em seu site um artigo com o título: "Um ataque militar israelense ao Irã seria um suicídio", no qual afirma que o Irã desenvolveu com sucesso 50 tipos de mísseis com diferentes funções, entre eles alguns com um alcance de até 2 mil km, que chegariam no território israelense.

O Irã está submetido a sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas , dos EUA e da União Europeia por seu programa nuclear. Parte da comunidade internacional suspeita que o programa do Irã tenha alvos militares, algo que Teerã nega taxativamente e assegura que está destinado exclusivamente a fins civis.

Manobras militares

As advertências do Irã foram feitas no mesmo dia em que o Comando de Defesa Civil do Exército israelense lançou manobras que simulam um ataque com foguetes a centros urbanos.

Nesta manhã, as sirenes antiaéreas tocaram em várias cidades da zona metropolitana de Tel Aviv no início de uma simulação que estava prevista havia meses, mas que adquiriu uma relevância especial no novo contexto, com informações diárias sobre um possível bombardeio ao Irã por parte de Israel e EUA.

AP
Rota de fumaça de teste de míssil feito pelo Exército de Israel na cidade de Yavne
Nas manobras foram abertos centros de retirada na cidade de Holon, perto de Tel Aviv, e outro na vizinha Bat Yam, onde foram distribuídas máscaras de gás. A simulação ocorreu logo após Israel testar com sucesso o lançamento de um míssil balístico de 6 mil km de alcance, capaz de abrigar ogivas nucleares. O Exército israelense também fez recentemente uma simulação de voos de longa distância em uma base na Itália.

Nesse contexto, o jornal Haaretz publicou nesta quinta-feira uma pesquisa que revela a divisão da opinião pública israelense: 41% da população é a favor do ataque, 39% contra e 20% estão indecisos. A pesquisa demonstrou também uma notável confiança (52%) na capacidade do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu ministro da Defesa, Ehud Barak, de lidar com o "tema iraniano".

No entanto, 37% desconfiam e 11% não têm opinião sobre a habilidade de ambos (partidários da operação) para resolver a situação. Netanyahu e Barak tentam reunir uma maioria a favor de um bombardeio relâmpago no conselho de ministros, onde os oponentes têm "ligeira vantagem", segundo o Haaretz.

Recentemente o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, que até agora se opunha com receio pelas repercussões, resolveu apoiar o ataque. O assunto iraniano foi notícia desde que, na sexta-feira, Nahum Barnea, um destacado colunista do jornal Yedioth Ahronoth, alertou sobre a pressão no governo para lançar um ataque.

Na segunda-feira, a sessão inaugural de inverno do Parlamento esteve dominada por essa questão, que Netanyahu vê como uma ameaça para a existência de Israel pelas declarações intimidadoras do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Ministros e diplomatas disseram ao Haaretz que o próximo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que será publicado no dia 8 de novembro, terá um efeito decisivo nas decisões de Israel.

*Com EFE

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