Irã, Afeganistão e Paquistão assinam acordo nas aéreas de segurança e energia

Teerã, 24 mai (EFE).- Os presidentes de Irã, Afeganistão e Paquistão assinaram hoje um acordo de segurança regional durante uma cúpula realizada em Teerã, na qual o chefe de Estado iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aproveitou para voltar a exigir que as tropas americanas saiam da região.

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"Embora a presença (dos EUA) seja mantida sob o pretexto da estabilidade, em nenhum caso contribui para o desenvolvimento econômico e da segurança regional", disse Ahmadinejad ao término da reunião.

De forma similar se expressou o presidente paquistanês, Ali Asif Zardari, que, em declarações divulgadas pela agência semioficial de notícias "Fars", ressaltou que "a região enfrenta vários desafios, inclusive o de ter permitido que grandes potências virassem vizinhos".

Neste sentido, tanto o chefe de Estado como seu colega iraniano reafirmaram que a solução final deve ser regional e compartilhada pelos três países, já que eles enfrentam desafios comuns como o narcotráfico e a ação de movimentos islâmicos radicais.

"Solucionar os problemas atuais de uma região que compartilha história, amigos e inimigos exige que resgatemos as relações de amizade e irmandade e que reafirmemos os laços comuns", acrescentou Ahmadinejad.

Zardari também disse que é dever da trinca de países "fazer uso de todo o seu potencial para oferecer uma vida melhor às gerações futuras".

O narcotráfico, o terrorismo praticado por movimentos islâmicos radicais e o desenvolvimento como caminho para acabar com estes dois problemas foram os principais assuntos da cúpula entre as três nações, que deveria ter ocorrido terça-feira, mas que foi adiada a pedido do chefe de Estado paquistanês.

Durante o encontro, os líderes assinaram um acordo sobre segurança regional e cooperação econômica e energética. Porém, nenhum detalhe desses convênios foi divulgado.

Além disso, os três reafirmaram seu compromisso de manter a luta contra o narcotráfico uma prioridade.

Irã, Afeganistão e Paquistão compartilham uma das fronteiras mais ativas em termos de tráfico de entorpecentes, já que a região é a maior produtora de ópio do mundo.

Além disso, em solo afegão e paquistanês atuam grupos islâmicos ligados aos talibãs e que, além de dedicarem ao contrabando de armas, algumas vezes se infiltram em território iraniano, sobretudo cruzando a fronteira afegã.

O Irã diz que a origem do problema é a presença das forças internacionais posicionadas no Afeganistão desde 2002. Mas as raízes do conflito se remontam ao início do século XIX, quando o país foi colonizado pelos britânicos.

Além disso, Teerã está muito preocupado com a possibilidade de a presença de militares americanos no vizinho Afeganistão se tornar um flagrante problema de ingerência política.

Esses temores cresceram esta mesma, uma vez que o jornal "The New York Times" publicou que Zalmay Khalilzad, ex-representante de Washington no Afeganistão, no Iraque e nas Nações Unidas, pode vir a se tornar o braço direito do atual presidente afegão.

Ao término da cúpula, os presidentes Ahmadinejad e Zardari aproveitaram para assinar o acordo final para a construção do chamado "gasoduto da paz", que permitirá a venda dos gás iraniano a Islamabad.

O projeto surgiu em 2006, e também contou com a adesão da Índia.

No entanto, em setembro do ano passado, o Governo indiano decidiu abandonar as reuniões entre os três países e expressou seu desejo de negociar direto com Islamabad as tarifas e as impostos referentes à passagem do gás.

Segundo o Irã e o Paquistão, é possível que a Índia volte a se unir ao projeto num momento mais oportuno. EFE jm/sc

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